Parceiros até no trabalho
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Mulheres que não se importam de pegar no pesado e realizar serviços que, até uns anos atrás, eram típicos do universo masculino. Homens que deixam o preconceito de lado e sobrevivem com atividades antes desenvolvidas por mãos femininas. Foi assim, ignorando convenções, que alguns casais encontraram seu caminho: trabalhar juntos, mesmo que em ofícios pouco tradicionais para um deles.
Há oito anos, quando a ex-secretária Eliane Cristina Bertoletti resolveu aceitar a sugestão do marido de trabalhar na empresa da família, especializada em retífica de motores, alguns clientes estranhavam a desenvoltura com que ela transitava entre os pesados equipamentos da oficina e, não raro, ''colocava a mão na massa''. Hoje ninguém mais se assusta com a presença de Eliane em meio aos motores e nem quando é ela quem vai buscar uma peça para conserto ou entregá-la, depois de retificada. ''Tem mulher que não chega nem perto de graxa. Já eu faço até serviço considerado de homem. No começo até lavava peça'', conta Eliane, revelando que com ela não tem frescura.
No dia a dia da oficina ela é uma espécie de curinga. Além de pegar no pesado, faz o serviço burocrático e financeiro. Devagar e com determinação, colocou as contas e os impostos em ordem. ''Em 34 anos de atividade, este é o melhor momento da empresa. Antes, quando eu precisava viajar, tinha que largar tudo na mão dos funcionários. Hoje está tudo mais organizado e eu fico mais tranquilo'', elogia o marido, Gilberto José da Silva. Questionado sobre a convivência em tempo integral com a esposa, ele não reluta: ''É uma maravilha''.
Eliane admite que às vezes discordam em alguns assuntos de trabalho, mas sempre se entendem no final do dia. ''Acho que aqui um complementa o outro'', diz ela.
Cumplicidade também é o combustível dos azulejistas Alain Rodrigues da Silva, de 34 anos, e Marlene Pires da Silva, 43. Trabalhando juntos há cerca de três anos, eles não escondem a satisfação de ser parceiros em tempo integral. ''É melhor ter a companhia da minha esposa do que a de um marmanjo'', brinca Alain, para completar: ''Sozinho, faço 50% a menos do serviço.''
Antes de se decidir pela dobradinha com o marido, Marlene trabalhou como vendedora e experimentou dar aulas em um Centro de Educação Infantil. Ficou desanimada com o salário e percebeu que, acompanhando Alain, podia fazer o serviço ''deslanchar'' e colaborar de forma mais efetiva com a vida financeira da família. ''Como ele tem mais experiência e mais força que eu, fico com a parte mais leve: espalho a argamassa, faço rejuntes e os recortes. Ele vem atrás, acertando, e se encarrega dos pisos que são mais pesados'', detalha.
Além do prazer de passar o dia juntos, eles enumeram outra vantagem da parceria: a possibilidade de poder estender o trabalho até mais tarde, se preciso. ''É bom não ter o horário muito rígido. O serviço rende mais'', diz o casal, que se conheceu há cinco anos e mantém a paixão da fase de namoro.


