Levantamento realizado em regiões periféricas de 13 Estados, divulgado pela Oscip Inmed Brasil (que promove ações de saúde) aponta que em Andirá (Norte) 67% das crianças estão com anemia ou correm o risco de desenvolvê-la. Apesar do índice de parasitoses estar abaixo da média nacional, 23,28%, segundo a presidente da Oscip, Joyce Capelli, a doença está diretamente ligada à decorrência de verminoses. ''A anemia tem vários fatores, mas não podemos excluir uma coisa da outra. Estudos mostram que 60% das crianças são anêmicas e outras 30% estão em situação de risco.''
O índice de anemia em Andirá é o maior encontrado, ficando acima, inclusive, de municípios como Camamu, na Bahia (61%), Tupirantins, no Tocantins (63%), e Carolina, no Maranhão (56%). Na cidade paranaense foram colhidos 1,6 mil amostras de fezes e sangue de crianças em idade escolar. Todos os casos positivos de helmintos foram tratados com medicação proveniente de programas com empresas parceiras. ''No combate às verminoses, contudo, apenas a ingestão de medicamentos não é suficiente. É imprescindível, portanto, que várias medidas sejam realizadas ao mesmo tempo, como priorizar a qualidade da água'', comenta.
Com os dados em mãos, a Secretaria Municipal de Saúde de Andirá vai dar mais ênfase em algumas medidas. ''Vamos aumentar nossos projetos que, inclusive, são referência em detecção precoce de doenças e tratamento, principalmente nos casos de esquistossome e dengue'', afirma a enfermeira chefe da secretaria, Sheyla Paião. As escolas terão horta comunitária com a finalidade de balanceamento nutricional.
A preocupação das ações da Inmed, entretanto, não reflete as políticas públicas. A começar pelos dados, que não existem ou são omitidos. ''Não há estudos epidemiológicos no Brasil, porque as parasitoses não são consideradas problemas de saúde pública'', alertou Joyce Capelli. Problema sentido pela reportagem que, durante vários dias tentou o número de casos de parasitoses diagnosticados em todo o Estado. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) a notificação de parasitoses não é obrigatória.
Ano passado, apenas cerca de 350 casos de esquistossomose no Estado chegaram ao conhecimento da autarquia. Lembrando que existem, pelo menos, dez tipos de parasitas mais comuns. Os únicos números disponíveis são com relação aos óbitos em decorrência de doenças infecto-parasitárias, ou seja, não há estratificação de cada uma. Em 2009, foram 1.871 casos. Já em 2010, 1.937 morreram no Paraná.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, anualmente, 5 milhões de pessoas morrem no mundo de doenças transmitidas por parasitas que se disseminam na água. ''Estudos realizados pela Organização Pan Americana da Saúde (Opas) mostram que 40% das mortes na América Latina, a maioria, crianças e idosos, são causadas por doenças parasitárias'', diz o sanitarista Sérgio Mendonça.

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