Depois de passar 40 anos convivendo com o cigarro e todos os males que ele pode fazer para a saúde, o comerciante de Londrina Roberto Idiyama, 65 anos, tem hoje uma vida completamente diferente. Para ele, que está há um ano e meio sem fumar, só o cheiro é cigarro é motivo para passar mal. ''Além de não conseguir sentir o cheiro de nada, não tinha paladar nenhum. Hoje, quando chego em casa, percebo o cheiro das coisas boas, de comida, de frutas. É tudo muito mais gostoso'', comenta.
A mudança radical na vida de Roberto aconteceu depois que ele passou pelo Programa de Combate ao Fumo, uma estratégia do Ministério da Saúde que existe no Brasil desde 1999 e em Londrina desde 2005. Com o objetivo de ajudar as pessoas que querem deixar de fumar o programa é realizado gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e conta com ações como: avaliação clínica do paciente; abordagem cognitivo-comportamental, onde são realizadas sessões de grupo, além de apoio com medicamentos.
A assessora técnica de enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde, Eni do Carmo de Souza, que atua também na coordenação do programa, explica que os fumantes que realmente quiserem abandonar o vício recebem todas as condições. ''Numa avaliação é verificada a motivação em deixar de fumar, seu nível de dependência física à nicotina e existência ou não de comorbidade psiquiátrica. Os grupos, em geral, são coordenados por um médico que também avalia casos onde podem ser preescritos a goma de mascar ou adesivos de reposição de nicotina''.
Roberto lembra que fumava de 25 a 30 cigarros por dia e uma semana depois de participar das reuniões do programa, passou a consumir 5 cigarros. ''Um dia o médico disse que eu poderia começar a usar o adesivo, mas que daí eu não poderia fumar mais. Eu falei pra ele que não precisava, que a partir daquele dia eu não fumaria mais mesmo sem o adesivo. Foi muito difícil, eu parecia que ia ficar louco e cheguei a passar mal por uma meia hora de tanta vontade de fumar. Aquela situação me fez ver que é horrível a gente ser dependente de alguma coisa. Nunca mais quero fumar na minha vida e hoje chego a passar mal quando alguém fuma perto de mim'', comenta.
De acordo com dados da Saúde, o fumante tem dez vezes maior chance de adoecer de câncer de pulmão, cinco vezes mais chances de sofrer infarto, bronquite crônica e enfisema pulmonar, além de ter duas vezes mais chances de sofrer um derrame cerebral.
Cerca de 300 pessoas passam, todo ano, pelo progama com o objetivo de abandonar o vício. Atualmente, as UBS que oferecem o programa são a Eldorado, Ouro Branco, Cafezal, Vila Nova, Parque das Indústrias, Milton Gavetti, União da Vitória e Policlínica Municipal. A partir de março, as unidades Vila Brasil, Parigot, Piza e Distrito de Guaravera também passarão a oferecer o programa. A enfermeira enfatiza que as pessoas que estiverem interessadas em participar devem procurar primeiramentea Vila da Saúde onde são centralizadas as informações sobre o programa.
''Em média, a reunião acontece semanalmente, depois quinzenalmente e depois uma vez por mês até completar um ano de abstinência. Os encontros ocorrem numa forma de estimular a pessoa a mudar o comportamento que o leva a fumar. Depende de cada indivíduo. Alguns abandonam logo após o primeiro encontro, outros após quatro encontros, já na fase de manutenção.''

CONSEQÜÊNCIAS DO FUMO
- Atualmente, dos cerca de 1,25 bilhão de fumantes no mundo, mais de 30 milhões são brasileiros. O fumo é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão e está ligado à origem de tumores malignos em oito órgãos (boca, laringe, pâncreas, rins e bexiga, além do pulmão, colo do útero e esôfago).
- São cerca de 4.720 substâncias tóxicas existentes na fumaça do cigarro que trazem riscos à saúde. Além das mais conhecidas (nicotina, alcatrão e monóxido de carbono), a fumaça também contém elementos radioativos, como polônio e cádmio (encontrado nas baterias de carro).

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