Da Sucursal

Gilson CamargoEsperançaO médico francês Pierre Cochat, que visitou ontem as instalações do Hospital Pequeno Príncipe: surpresa com o sistema de cotas para hemodiáliseNa França, as crianças têm prioridade para receber um órgão transplantado, e a espera por um rim, por exemplo, é de no máximo 11 meses, enquanto no Paraná a espera chega a ser de cinco anos.
A falta de notificação de morte encefálica pelos hospitais emperra os processos de transplantes no Paraná. Em estudos da Organização Mundial da Saúde, para cada milhão de habitantes 60% são doadores em potencial.
‘‘Se no Brasil se aproveitassem 75% desses doadores, as filas de espera provavelmente acabariam’’, disse a coordenadora da Central de Transplantes do Paraná, Cristina Von Glehn.
O nefrologista pediátrico francês Pierre Cochat, do Hospital Édouard-Hérriot de Lyon, na França esteve conhecendo as instalações do Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba e faz uma comparação entre os principais problemas dos dois países.
Na França a Central de Transplantes atua com 90 pessoas em sete regiões administrativas de todo o país. ‘‘A cada ano realizamos quatro mil transplantes de órgãos. As estatísticas mostram que ocorrem 27 transplantes por milhão de habitantes por ano’’, esclarece Cochat. No Paraná a central funciona há um ano e meio.
Outra diferença é a de que 10% dos doadores de rins são vivos. Além da França, também na Alemanha já são realizados transplantes de fígado de doadores vivos em crianças.
A grande diferença, segundo o especialista francês, é que na França o trabalho de conscientização é feito há quase 20 anos. Todo o sistema é computadorizado. Segundo dados de 1995, ocorrem 1.606 mortes cerebrais naquele país, sendo efetivadas 86 doações. Naquele ano foram feitos 1.578 transplantes renais, sendo 94 pediátricos.
O que causou surpresa no médico francês é o fato de existirem cotas para os hospitais atenderem as hemodiálises. No Hospital Pequeno Príncipe a cota é 250, mas a Unidade de Diálise atende a 300 pacientes. ‘‘Impossível dizer para um paciente ir embora, principalmente se for uma criança. É um absurdo estabelecer cotas para um tratamento vital para o paciente’’, reconhece a nefrologista pediátrica do Pequeno Príncipe, Rejane de Paula Meneses.
Segundo o médico Cochat, tentou-se estabelecer cotas para transplantes na França, mas os médicos usaram como estratégia se negar a conversar sobre isso com as famílias. ‘‘Pedíamos para os diretores dos hospitais contarem para as famílias que não poderiam atender seus filhos, que a cota estava completa. Com isso conseguimos a liberação do número de transplantes.’’
O Hospital Pequeno Príncipe está em negociação com as secretarias de Saúde para aumentar a cota ou até mesmo eliminá-la.

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