Paranavaí tem sete casos de dengue
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Marccio W. Varella 
A Prefeitura de Paranavaí confirmou ontem a existência de uma epidemia de dengue no município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, sete casos de dengue já foram confirmados - cinco somente em março, um em janeiro e outro em fevereiro. No ano passado, de 71 casos notificados, apenas um foi confirmado. Além dos casos confirmados, segundo a Secretaria de Saúde, outros 24 são considerados suspeitos desde janeiro até ontem.
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) prometeu para hoje a chegada de inseticida (fumacê) para pulverizar, principalmente, o bairro Vila Operária, o principal foco do mosquito Aedes aegypti que transmite a doença.
Segundo a coordenadora do trabalho de combate à dengue, enfermeira Silvânia Maria de Souza, há pouco inseticida em Paranavaí. O fumacê está em falta em todo o Estado mas a Funasa prometeu que teremos o suficiente ainda hoje.
Ela disse à Folha que um trabalho emergencial de conscientização começou a ser feito ontem nos bairros Vila Operária e Jardim Ipê. Funcionários da Saúde e da Funasa não são lixeiros. Por isso, cada morador será responsável pela limpeza de seu próprio quintal, recolhendo os objetos propícios à proliferação dos mosquitos, como pneus, latas e garrafas. Esses objetos poderão ser deixados em frente das casas que serão recolhidos por carros da Secretaria de Viação e Obras Públicas, disse ela.
Anteontem, todos os funcionários de órgãos da prefeitura ligados à Saúde tiveram reunião de emergência com o secretário interino de Saúde Alcino Carranza para discutir as ações de prevenção da doença. Desde ontem, agentes do Programa de Erradicação da Dengue fazem um trabalho de conscientização da população nos bairros mais atingidos pelo surto. Estudantes também serão conscientizados em trabalhos realizados em todas as escolas municipais e estaduais.
O trabalho de bloqueio nos locais onde os casos foram notificados já foi realizado pela Funasa, revelou o secretário. Segundo ele, a Funasa realizou serviço de prevenção num raio de 100 metros dessas casas.
O chefe do setor de epidemiologia da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí Marcelo Campos Silva garantiu que, teoricamente, os casos estão sob controle. Não houve nenhum óbito. Existe a circulação do vírus e existem casos da doença, portanto pode-se dizer que Paranavaí vive uma situação de surto epidemiológico.
Pouco veneno O superintendente da Funasa em Paranavaí Jurandir Jorge disse que pediu mais inseticida à direção do órgão em Curitiba e que o produto deve chegar hoje. O problema - disse ele - é que o índice de infestação é muito alto na cidade, mas nós não dispomos de veículo e muito menos de veneno para pulverizar a cidade. Em todo o Estado dispomos apenas de 400 litros do veneno, que é importado e não pode ser comprado por ninguém a não ser pela própria Funasa.
A enfermeira Silvânia disse que a situação é de alarme. Eu imploro pela participação da população na limpeza de seus quintais. A infestação do mosquito ocorre em toda a cidade e o trabalho emergencial vai ser feito em todos os bairros, mas primeiro naqueles onde a situação já é alarmante, disse.


