Paranaguá vive momento de recuperação
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Israel Reinstein 
A epidemia de cólera, que atingiu Paranaguá, no Litoral do Estado, no fim de março, deixou marcas mais profundas que a contaminação de alguns de seus habitantes. A cidade hoje vive um momento de recuperação no setor turístico e comercial. Durante dois meses, as vendas caíram em mais de 80% nos segmentos vinculados ao turismo e 60% nas vendas em geral, diz o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Claro Chaves. Por causa disso, alguns empresários solicitaram falência ou quase entraram em processo concordatário, afirma.
Chaves não tem números exatos sobre quantos empresários faliram, mas acrescenta que sabe de pelo menos três restaurantes tradicionais deixaram de funcionar. A situação ficou complicada não somente em Paranaguá, mas também em todo o Litoral, diz. E só melhorou depois do feriado do dias das mães, quando o comércio começou a voltar a normalidade, diz. Hoje, ele estima que as vendas estejam 20% abaixo das comercialização normal. Isto é comprovado pelo índice de consulta do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que em abril apresentou 18% menos consultas que no ano anterior.
O presidente da associação considera que o fator principal na quebra em Paranaguá foi provocado pela cólera. A doença surgiu exatamente em um momento em que a situação financeira do País era crítica, por isso puxou muitos empresários para baixo, diz. O maior problema foi no Mercado Municipal, que chegou a jogar fora produto, por falta de comprador.
Também o artesanato ficou com produto encalhado. Durante o período mais crítico o surto da doença, a vendedora de artesanato Jarede Andrade Ribeiro ficou sem vender nada. Em um mês ganhei o mesmo que um salário mínimo, não conseguindo pagar o aluguel do box, diz ela, que paga R$ 100,00 pelo ponto onde trabalha. A situação vem melhorando, mas hoje (terça-feira) vendi apenas R$ 12,00, afirma.
Jarede conta que sobreviveu apenas da venda de utensílios domésticos (copos, colheres, entre outros) para a comunidade. Da mesma forma, a proprietária dos boxes 17 e 18, do restaurante Santo Antônio, Jovina Oening, teve que mudar a área de atuação. Especializada em vender frutos do mar, passou a comercializar carnes. Teve dias que não veio cliente, conta.
O dono do restaurante Dom Corleone, James Abdalla, conta que durante o período da cólera, oito caravanas de turistas suspenderam as reservas. O presidente da associação comercial, Alceu Chaves conta que este medo era visível entre os visitantes. Teve gente de outras cidades do Estado que evitava dar a mão para os habitantes de Paranaguá ou aceitar café ou chá, que normalmente é oferecido, diz. Para o presidente da Aciap, é preciso que agora se façam propagandas contrárias, buscando reerguer a cidade.


