Curitiba
Paranaguá, no Litoral paranaense, é o município mais cotado para receber uma usina termoelétrica movida a carvão. O projeto, combatido por entidades ambientalistas, está sendo desenvolvido pela Copel em parceria com os grupos privados Inepar, Chilgener e Denerge. O empreendimento serviria para a produção de energia com fins comerciais.
As empresas estão fazendo estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental sobre o empreendimento. A escolha do local ainda não foi divulgada, mas Paranaguá aparece como a melhor opção para as empresas participantes do consórcio. A existência de uma estrutura portuária e de um pólo industrial no município são apontadas como vantagens para a instalação da usina no local.
As empresas também poderiam utilizar o acesso já existente para instalar linhas de transmissão entre Paranaguá e Curitiba, passando pela Serra do Mar. Se a usina fosse construída em outro município (uma das possibilidades é Pontal do Paraná), o impacto ambiental seria muito maior, com o desmatamento de áreas para a passagem das linhas.
Na semana passada, uma comitiva de 11 pessoas liderada pelo prefeito de Paranaguá, Mário Roque, esteve em Pantocheville, no Chile, para conhecer uma termoelétrica da Chilgener, que tem 51% de participação no consórcio.
Os participantes voltaram impressionados com a tecnologia e a segurança ambiental do empreendimento, construído nos mesmos moldes do que está projetado para o litoral paranaense. ‘‘A empresa utiliza computadores para fazer análises do ar, da poluição e das partículas de enxofre. Conversamos com muitas pessoas e autoridades locais e vimos que não há nenhum problema para a população e para o meio ambiente’’, disse o prefeito de Paranaguá.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) entregou na semana passada às empresas participantes do consórcio uma lista de exigências que devem ser consideradas no estudo de impacto ambiental. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) deve ser apresentado e discutido em audiência pública no segundo semestre.
Metais tóxicos - Para os ambientalistas, a opção por Paranaguá não faz diferença em termos de impacto ambiental. ‘‘O porto já tem uma das piores condições ambientais do País e a situação só vai se agravar com a instalação de uma usina como essa’’, diz Teresa Urban, integrante do Fórum Verde, que reúne entidades e pessoas ligadas à conservação da natureza.
Segundo ela, apesar da propaganda oficial dizer que os equipamentos da usina irão reter 99% das cinzas volantes, o 1% restante ‘‘é muita coisa’’. De acordo com os ambientalistas, 1% das cinzas equivaleriam a 1.978.300 quilos por ano. Esse volume seria lançado na atmosfera sob a forma de partículas contendo metais tóxicos e pesados.
A usina projetada teria uma capacidade de 700 megawatts e sua construção exigiria um investimento de US$ 650 milhões. Os ambientalistas afirmam que a instalação da termoelétrica no litoral colocaria em risco os balneários do Paraná, devido à emissão de resíduos poluentes. A usina também afetaria 14 unidades de conservação ambiental, como parques, estações ecológicas e áreas de proteção.

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