Paranaguá enfrenta surto de cólera
O secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, reconheceu que o município de Paranaguá, no litoral do Estado, enfrenta um surto de cólera. Seis casos foram confirmados, a morte de um rapaz de 23 anos está sendo investigada e outras 16 pessoas são suspeitas de terem contraído a doença. É um surto, mas como componente de uma epidemia mundial que também atingiu o Brasil, diagnosticou Raggio.
É a primeira vez que casos de cólera são registrados envolvendo habitantes do Paraná. Desde o início do mês, 38 casos foram analisados em Paranaguá. O secretário estadual de Saúde acredita que a cólera possa ter sido trazida do Mato Grosso por um caminhoneiro portador do vibrião colérico, que não tenha apresentado os sintomas da doença (vômitos, diarréias e dores intestinais). O Estado escoa parte de sua safra de soja nesta época do ano pelo porto de Paranaguá. Armando Raggio considera pequena a chance do surto se espalhar para algum dos outros sete municípios do litoral paranaense.
A doença tem grande probabilidade de ficar restrita. A cólera sugre em pontos definidos que podem ser controlados, comentou o secretário. Raggio disse ser cedo para fazer previsões sobre o aparecimento de novos casos da doença. Mas considerou que casos isolados não são comuns e aguarda o resultado das análises nas fezes dos 16 pacientes ainda internados nos hospitais de Paranaguá. Não há previsão sobre a data de conclusão das avaliações.
Os resultados positivos dos cinco novos casos detectados pelo Laboratórico Central do Paraná foram remetidos ontem para novos exames no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. A estudante Flávia Estafanim dos Santos, de nove anos, foi o primeiro caso de cólera detectado na cidade. O resultado já foi confirmado pelo laboratório paulista. Flávia se contaminou quando se banhava no rio Anhaia, na Vila Guarani, onde a fiscalização está sendo intensificada.
Funcionários das secretarias estadual e municipal de Saúde estão percorrendo Paranaguá para orientar os moradores sobre os riscos de contágio da cólera. Água tratada e hipoclorito estão sendo distribuídos para as populações mais carentes. Deve chegar hoje ao município um representante do Ministério da Saúde para auxiliar nos trabalhos que irão determinar a origem da cólera. O secretário disse que vai desencadear a operação para todos os municípios do Estado. Vamos intensificar o controle da diarréia em outras regiões, anunciou.
Quem se dirigir ao litoral para passar o feriado de Páscoa, segundo Raggio, não precisa ter preocupações com a doença. Quem corre o risco é a população local (de Paranaguá), disse. No entanto, o secretário alerta que peixes e frutos do mar devem ser consumidos depois de serem limpos e cozidos. A coléra está em sétimo lugar no ranking das epidemias mundiais. A doença chegou ao Brasil em 1991 vinda do Peru, onde se transformou em epidemia.Saúde confirma seis casos da doença, anuncia outras 16 suspeitas e admite que rapaz morto deve ter sido contaminado
Kraw PenasExplicaçõesSecretário Armando Raggio, com o prefeito Mário Roque e o diretor da secretaria, Renê Santos, fala das medidas da Saúde contra a doençaDimitri do Valle





