Paranaguá comemora hoje 351 anos
Israel Reinstein
De Curitiba
A cidade de Paranaguá comemora hoje 351 anos de fundação, tentando reverter a imagem negativa causada pela cólera e as irregularidades no porto. Desde o começo da semana, estão sendo realizados eventos culturais e esportivos na cidade. A intenção é mostrar que o município pretende mostrar que vai além do porto - ponto de entrada da cultura paranaense. Abençoada, Paranaguá conseguiu dar volta por cima e retomar a economia e turismo, voltando a vida normal, diz o prefeito Mário Roque.
A cidade foi povoada oficialmente em 1640, mas foi promovida de aldeia para vila, em 1648. Basicamente, o encarregado da coroa portuguesa, Gabriel de Lara, priorizou a manutenção do porto, que serviu para abastecer o mercado do Sul da América. Até hoje, esta dependência é grande. O prefeito admite que a cidade ainda vive do desempenho das exportações e importações, que movimentam anualmente em torno de R$ 5 bilhões.
Hoje com o desemprego, causado pela mecanização, o município tenta encontrar alternativas, para diminuir essa dependência. A luta por um parque industrial continua e deve ser atendida ainda este ano, aposta Mário Roque. Enquanto não se instala novas fábricas, o ex-carregador portuário, Marcos Roberto Souza, ganha a vida vendendo artesanato. A sorte é que o mar ajuda, dando comida, afirma.
Para o pescador Luiz Fernandes, hoje a venda de peixes voltou ao normal. A epidemia de cólera no primeiro semestre, derrubou a venda a quase zero. Hoje, o turista vem comprar o nosso peixe e aprendeu a se previnir da doença, diz. Com o que sobra ele tenta recuperar uma casa antiga, que recebeu de herança da família.
A cidade vem restaurando os prédios antigos, resgatando a história da cidade e do Paraná, afirmou o prefeito Mário Roque. A recuperação das casas está sendo feita em parceira com a prefeitura, que fornece estudo técnico. A participação da população no resgate da cultura tem sido espontânea, afirma o prefeito.
São pessoas como o estudante Nilo Ribeiro, 19 anos. Há quatro anos, ele vem se dedicando à preservação da cultura do fandango. Depois de participar de um concurso, ele se tornou integrante do Grupo Folclórico Mestre Romão. Passei a gostar da dança e saber um pouco da cultura da cidade, diz. Hoje, Ribeiro ajuda a coordenar o grupo mirim do fandango.
Todos os domingos, ele treina junto com outras 30 jovens e adultos. Esses jovens podem ser a minha semente da cultura do fandango, afirma o Mestre Romão. Dedicando a vida ao fandango, o mestre vem tentando revitalizar a tradição da dança local. Tenho enfrentando o desinteresse dos jovens e a religiosidade das igrejas evangélicas, que consideram a dança fruto do diabo, comenta.
Do seu grupo de violeiros, o mestre perdeu um para a religião. O irmão de Walemar Barbosa Cordeiro deixou de tocar fandango. Com isso, algumas das marcas (formas de danças e rimas) foram esquecidas, diz o irmão. O músico é parceiro do carpinteiro José Martins. O fandango é como Paranaguá luta bastante para mostrar que tem cultura, força e é muito bonito, define Martins.Há uma semana em festa, a cidade procura reverter a imagem negativa deixada pela epidemia de cólera que aconteceu em março
Fotos: José SuassunaHistóriaPrédios antigos de Paranaguá estão sendo restaurados. Idéia é resgatar a história da cidade, a mais antiga do Paraná. A recuperação das casas está sendo feita em parceira com a prefeitura, que fornece estudo técnicoFolcloreApresentações de fandango fazem parte das comemorações de aniversário da cidade. População do município vem se dedicando à preservação da cultura da dança local. Para isso, há grupos que treinam todas as semanas





