Paranaguá é a cidade que apenas vê a riqueza passar. Pelo menos esta é a visão do prefeito do município, Mário Roque. Durante o escoamento da safra, que vai de março e outubro, passam pelo porto R$ 5 bilhões. Em contrapartida a cidade, arrecada em 12 meses menos de R$ 360 milhões de impostos. ‘‘Se um centésimo desse volume de dinheiro ficasse na cidade, Paranaguá não precisaria de um parque industrial’’, avalia o presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade, Alceu Claro Chaves.
Roque diz que a cidade absorve apenas o dinheiro que chega pela mão dos trabalhadores portuários, marinheiros e das poucas indústrias de processamento de fertilizantes. ‘‘Mas o desemprego cresce por causa da recessão brasileira, cólera e com a demissão no porto. Com isso, o dinheiro não surge para ninguém’’, afirma Chaves.
O município tem cerca de 150 mil habitantes, sendo que 60% deles sobrevivem direta ou indiretamente do trabalho do porto. Da população economicamente ativa da cidade (pouco mais de 60 mil pessoas), um terço são trabalhadores portuários.
O presidente da associação avalia que existem 20 mil desempregados em Paranaguá com a modernização do porto. ‘‘A briga da cidade é conseguir uma outra alternativa para estas pessoas. A solução seria a construção do parque industrial’’, afirma o prefeito Mário Roque. Há dois anos, o município vem tentando obter a licença para a implantação do projeto, mas os pedidos vêm sendo rejeitados pelos órgãos responsáveis, por não obedecer as regras ambientais.
Mas os problemas ambientais são pequenos perto da falta de estrutura da cidade. A periferia de Paranaguá, que é margeada por mangues e rios, está ocupada pelos moradores. ‘‘As últimas cinco gestões de Paranaguá não enfrentaram as ocupações irregulares. E, para piorar, políticos estimularam as invasões’’, diz Alceu Chaves, que é também vereador. Entre os que estimularam invasão estaria o próprio prefeito Mário Roque, que foi vereador por muito anos.
Hoje a cidade tem os maiores índices de tuberculose e Aids no Paraná. Para cada 100 mil habitantes, ocorrem mais de 90 casos de tuberculose por ano. Em todo o Estado, este percentual cai abaixo de 40 registros.
Para piorar, apenas 29% dos moradores de Paranaguá dispõem de rede de esgoto. O abastecimento de água atinge 95% da população, porém nas regiões de mangues, onde vivem mais de 30 mil pessoas, as ligações são feitas irregularmente.

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