Criar estratégias para o desenvolvimento do município de Manhiça, a 80 km de Maputo, capital de Moçambique, será o desafio pelos próximos cinco meses dos engenheiros agrônomos Adelar Antônio Motter e Antônio Carlos Rodrigues da Silva, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
O projeto elaborado por eles foi selecionado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci) entre outros dez concorrentes internacionais e eles partem hoje para a África. ''Sabíamos que nossa proposta era muito consistente, mas ainda assim nos surpreendemos com a escolha'', disse Motter, em visita à Redação da Folha esta semana.
Segundo ele, o conceito de município foi implantado no país somente em 1998 e ainda encontra-se em fase de planejamento. ''Iremos trabalhar com pessoas de hábitos, crenças, valores e, principalmente, histórias muito diferentes da nossa. Este será o nosso maior desafio'', afirmou.
A proposta apresentada pelos agrônomos teve como base um outro projeto elaborado por eles, em 2002, que visava o desenvolvimento da região centro-oeste do Paraná. Segundo Silva, o Iapar foi procurado pelos prefeitos de 20 municípios que integram a região cercada pelos rios Cantu, Piquiri e Iguaçu a chamada Cantuquiriguaçu para solucionar o problema do esvaziamento demográfico das cidades.
Depois de diagnosticarem os principais problemas dos municípios com ajuda da Emater local, os agrônomos aplicaram um questionário para cerca de 500 pessoas da região, com o objetivo de traçar metas para os próximos 10 anos. ''Também capacitamos a comunidade, que passou a criar planos de trabalho por conta própria'', contou Silva.
O projeto resultou na elaboração de um plano diretor e na criação de um conselho regional de desenvolvimento que reúne, a cada dois meses, os representantes dos municípios para apresentação de novas idéias.
De acordo com Motter, o plano precisou ser refeito, depois que a região do Cantu foi selecionada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) como um território de atuação da organização na América Latina. ''Tivemos que acrescentar alguns tópicos para receber os investimentos internacionais'', ressaltou.
Os desafios a serem enfrentados em Moçambique serão maiores do que os superados no centro-oeste paranaense. ''Eles vivem em situações muito precárias e muitos ainda conversam em línguas tribais'', declarou Motter. Mas ele destaca que o fato de a organização em municípios ser algo novo para o país poderá facilitar a condução dos trabalhos, sem vícios. ''Teremos que começar pelo básico, visitando as comunidades para conhecer de perto a realidade africana'', concluiu.

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