Paranaenses encaram sacrifícios e riscos no sonho da emigração
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Em busca de oportunidades, moradores de São Sebastião da Amoreira (47 km ao Sul de Cornélio Procópio) estão deixando a cidade para trabalhar no exterior. A prefeitura estima que, apenas em 2005, pelo menos cem pessoas já emigraram para os Estados Unidos da América (EUA) - destino mais procurado - e países europeus como Portugal, Inglaterra e Espanha. Nos últimos quatro anos, mais de 300 cidadãos deixaram o município para viver fora do Brasil. O volume é significativo diante da população total de São Sebastião da Amoreira, que soma nove mil habitantes.
A maioria dos emigrantes viaja ilegalmente e paga um alto preço pela oportunidade. Levados por agenciadores, também conhecidos por 'coiotes', dos quais mal sabem o nome, chegam a desembolsar R$ 30 mil pela viagem até os EUA. A porta de entrada é a fronteira com o México. Nas mãos dos 'coiotes', os imigrantes passam fome, sede e frio. Muitos têm seus pertences roubados e, no final da trajetória, ainda correm o risco de serem presos e deportados.
O marido de Rosa (nome fictício) é um dos moradores do município que conseguiu entrar nos EUA, este ano, mediante o pagamento de R$ 14 mil pela viagem e travessia. Entre a partida do Brasil e a chegada aos Estados Unidos, foram 13 dias de medo e privação. ''Os 'coiotes' roubaram tudo que ele levou. Meu marido passou fome, sede e frio'', disse.
Empregado como marceneiro, o rapaz está satisfeito com o ganho mensal de R$ 9 mil. ''Aqui, ele ganhava R$ 800,00'', comparou a moça, que tem uma filha de cinco anos e planeja fazer o mesmo caminho para acompanhar o marido. ''Vou deixar minha filha com minha sogra. É um risco que vamos correr para ter uma vida melhor.''
Outros moradores do município não tiveram a mesma sorte. O sobrinho de João (nome fictício) passou por tormentos nas mãos dos 'coiotes' e conseguiu, há quatro meses, entrar nos EUA pela fronteira do México. A conquista, entretanto, não correspondeu às expectativas do rapaz, que deixou esposa e três filhos no Brasil. ''Ele está trabalhando de servente de pedreiro e ganha US$ 400,00 por semana. A família acabou tendo que mandar dinheiro para ajudar'', contou o tio.
O casal formado pela professora Ana Cássia de Oliveira Gobbo, 25 anos, e pelo agricultor Jodicero Gobbo, 39, sequer conseguiu procurar emprego nos Estados Unidos. Presos pela polícia americana quando tentavam atravessar a fronteira, eles passaram mais de 20 dias detidos até serem deportados para o Brasil. A estadia foi marcada pelo medo e pela insegurança. ''Não sabia onde estava o meu marido e não imaginava o que ia acontecer comigo'', contou Ana Cássia.
A desventura começou no dia 28 de fevereiro, quando embarcaram para São Paulo orientados por um agenciador que cobraria R$ 30 mil de cada um caso eles conseguissem entrar. ''A gente foi para um hotel que eles indicaram. Não sei direito quem é esse homem, só falamos com as pessoas por telefone'', relatou.
Após a chegada no México, foram 16 horas de viagem até a fronteira, de carro. ''Passamos a noite na casa de um coiote. Na manhã seguinte, andamos três horas, à pé, até a beira de um rio. Esperamos mais duas horas, porque tinha polícia rondando, e então atravessamos'', continuou.
Após a travessia, foram mais duas horas de espera, em território americano, por coiotes que continuariam a conduzí-los. ''Não apareceu ninguém, só a polícia. Os coiotes fugiram e nós fomos presos'', lamentou ela, que não pretende se arriscar novamente na empreitada. ''É muito perigoso. Tivemos sorte de não ter acontecido nada, teve gente que viu amigos morrerem'', afirmou.


