Em busca de oportunidades, moradores de São Sebastião da Amoreira (47 km ao Sul de Cornélio Procópio) estão deixando a cidade para trabalhar no exterior. A prefeitura estima que, apenas em 2005, pelo menos cem pessoas já emigraram para os Estados Unidos da América (EUA) - destino mais procurado - e países europeus como Portugal, Inglaterra e Espanha. Nos últimos quatro anos, mais de 300 cidadãos deixaram o município para viver fora do Brasil. O volume é significativo diante da população total de São Sebastião da Amoreira, que soma nove mil habitantes.
A maioria dos emigrantes viaja ilegalmente e paga um alto preço pela oportunidade. Levados por agenciadores, também conhecidos por 'coiotes', dos quais mal sabem o nome, chegam a desembolsar R$ 30 mil pela viagem até os EUA. A porta de entrada é a fronteira com o México. Nas mãos dos 'coiotes', os imigrantes passam fome, sede e frio. Muitos têm seus pertences roubados e, no final da trajetória, ainda correm o risco de serem presos e deportados.
O marido de Rosa (nome fictício) é um dos moradores do município que conseguiu entrar nos EUA, este ano, mediante o pagamento de R$ 14 mil pela viagem e travessia. Entre a partida do Brasil e a chegada aos Estados Unidos, foram 13 dias de medo e privação. ''Os 'coiotes' roubaram tudo que ele levou. Meu marido passou fome, sede e frio'', disse.
Empregado como marceneiro, o rapaz está satisfeito com o ganho mensal de R$ 9 mil. ''Aqui, ele ganhava R$ 800,00'', comparou a moça, que tem uma filha de cinco anos e planeja fazer o mesmo caminho para acompanhar o marido. ''Vou deixar minha filha com minha sogra. É um risco que vamos correr para ter uma vida melhor.''
Outros moradores do município não tiveram a mesma sorte. O sobrinho de João (nome fictício) passou por tormentos nas mãos dos 'coiotes' e conseguiu, há quatro meses, entrar nos EUA pela fronteira do México. A conquista, entretanto, não correspondeu às expectativas do rapaz, que deixou esposa e três filhos no Brasil. ''Ele está trabalhando de servente de pedreiro e ganha US$ 400,00 por semana. A família acabou tendo que mandar dinheiro para ajudar'', contou o tio.
O casal formado pela professora Ana Cássia de Oliveira Gobbo, 25 anos, e pelo agricultor Jodicero Gobbo, 39, sequer conseguiu procurar emprego nos Estados Unidos. Presos pela polícia americana quando tentavam atravessar a fronteira, eles passaram mais de 20 dias detidos até serem deportados para o Brasil. A estadia foi marcada pelo medo e pela insegurança. ''Não sabia onde estava o meu marido e não imaginava o que ia acontecer comigo'', contou Ana Cássia.
A desventura começou no dia 28 de fevereiro, quando embarcaram para São Paulo orientados por um agenciador que cobraria R$ 30 mil de cada um caso eles conseguissem entrar. ''A gente foi para um hotel que eles indicaram. Não sei direito quem é esse homem, só falamos com as pessoas por telefone'', relatou.
Após a chegada no México, foram 16 horas de viagem até a fronteira, de carro. ''Passamos a noite na casa de um coiote. Na manhã seguinte, andamos três horas, à pé, até a beira de um rio. Esperamos mais duas horas, porque tinha polícia rondando, e então atravessamos'', continuou.
Após a travessia, foram mais duas horas de espera, em território americano, por coiotes que continuariam a conduzí-los. ''Não apareceu ninguém, só a polícia. Os coiotes fugiram e nós fomos presos'', lamentou ela, que não pretende se arriscar novamente na empreitada. ''É muito perigoso. Tivemos sorte de não ter acontecido nada, teve gente que viu amigos morrerem'', afirmou.

mockup