Curitiba- Os paranaenses disseram não ao fim da comercialização de armas de fogo e munição no Brasil. Com 73,15% dos votos, a opção 'não' ganhou em todas as cidades do Estado, enquanto 26,85% votaram no ''sim''. A apuração teve clima tranquilo e com poucas pessoas no saguão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) muito diferente das eleições convencionais. Às 22 horas os votos de 99,9% das urnas já estavam contabilizados. Curitiba foi a primeira capital do País a ter seus votos totalizados.
Dos 6,94 milhões de eleitores paranaesnes, 3,95 milhões votaram ''não'' e 1,45 milhão votaram ''sim''. O índice de abstenção no Paraná foi de 19,5% dentro da média, segundo o TRE. Já o número de votos brancos e nulos foi pouco mais de 136 mil. Em Curitiba, onde o ''não'' ganhou com 73,1% dos votos, o índice de abstenção foi de 17,8%, também considerado normal pelo TRE. Já os eleitores que anularam ou votaram em branco somou 25,7 mil na Capital. Em Londrina, onde 69,34% dos eleitores decidiram pelo ''não'' e 30,66 pelo ''sim'', houve um índice de 19,32% de abstenção e pouco mais de 8 mil votos brancos ou nulos.
Um dos principais defensores do ''não'' no Paraná, o deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR), afirmou ontem que o resultado do referendo é um recado da população para que o governo federal melhore a segurança pública no País. ''A partir de agora vamos ser pró-ativos e vamos apresentar projetos que obriguem o governo federal a melhorar a segurança pública, como estipular um percentual mínimo de aplicação do orçamento na área. Precisamos melhorar a polícia, resolver a questão prisional e não desarmar a população'', afirmou. Lupion foi uma das lideranças do Paraná na Frente Parlamentar pelo Direito à Legítima Defesa.
Já o deputado estadual Ratinho Júnior (PPS), defensor do ''sim'', lamentou o resultado porque a população, segundo ele, ''perdeu uma oportunidade de mostrar para o mundo que quer paz, o que é ruim para a imagem do País.'' ''A idéia era diminuir o número de mortes por crimes banais. Mas vamos continuar buscando soluções para a segurança pública'', afirmou.
O presidente da ONG Londrina Pazeando, que participou da campanha pelo ''sim'', Luiz Cláudio Galhardi, apesar da derrota, viu com otimismo o resultado. ''Muitas pessoas não diziam que iam comprar armas, mas estavam preocupadas em perder um direito. A discussão foi importante e abre portas para outros referendos'', afirmou.

mockup