Dois alpinistas de Foz do Iguaçu aguardam há 12 dias, sob uma temperatura de até 18 graus negativos, o melhor momento para vencer a maior montanha do Ocidente - o Pico Aconcágua, com 6.959 metros, localizado na fronteira entre Argentina e Chile, na Cordilheira dos Andes. A altura é equivalente a um prédio fictício de 2.784 andares.
Sérgio Gustavo Mousquer, 27 anos, e Fábio Teixeira, 23, fazem a primeira tentativa de paranaenses de escalar o Aconcágua desde o acidente em que morreram, soterrados por uma avalanche, três alpinistas brasileiros - os fluminenses Mozart Catão e Alexandre Oliveira e o brasiliense Othon Leonardus -, em 3 de fevereiro do ano passado. Dois paranaenses - Dálio Zippin Neto e Ronaldo Franzin Júnior - que integravam a equipe, ficaram feridos, mas conseguiram sobreviver.
Mousquer e Teixeira estão no Aconcágua desde o Dia de Natal. Ontem, eles permaneciam em um acampamento-base na mantanha, a 4.230 metros de altitude. ‘‘Está nevando muito lá e eles vão esperar, no máximo, mais quatro dias para continuar a escalada. Se não for possível, vão desistir’’, relatou ontem à Folha o estudante de direito Jaime Luiz Remor, 30 anos, que mora em Santa Helena (100 km ao norte de Foz do Iguaçu) e atua como assessor de divulgação dos alpinistas.
A última vez em que Remor conversou com um deles foi na sexta-feira à noite, por meio de rádio-amador. ‘‘O Sérgio contou que eles estão se sentindo extremamente cansados, quase no limite da exaustão’’, disse Remor. ‘‘Eles não previam esse clima terrível. No caminho, já encontraram outras expedições voltando, sem ter chegado ao cume.’’
No sábado à noite, Remor consegui falar com um posto de fiscalização dentro do Parque Provincial Aconcágua, onde está o monte. A temperatura era de 18 graus negativos. Devido ao mau tempo, o terceiro integrante da expedição - batizada de Oeste do Paraná-Aconcágua -, Paulo Gamaro, 40 anos, desistiu da escalada e está retornando ao Brasil.
Se o tempo estivesse bom, a previsão dos alpinistas era chegar ao cume no dia 27. Nova previsão, agora, depende do eventual início da escalada.
Para realizar o desafio, Mousquer e Teixeira se prepararam durante 14 meses, com trabalho diário de condicionamento físico e escaladas em montes da América do Sul e dos Estados Unidos. No final de dezembro, eles fizeram um ‘‘estágio’’ de oito dias no monte Tronador (cerca de 3 mil metros), na Patagônia argentina. Apesar de ser mais baixo, o Tronador tem solo e clima semelhantes aos do Aconcágua.DivulgaçãoAdaptaçãoTreinamento de Mousquer (foto abaixo) e Teixeira no Pico Tronador, na Patagônia argentina, em dezembroValmir Denardin

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