Paranaenses desafiam Aconcágua
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Edmundo Inagaki 
DivulgaçãoRonaldo Franzen Júnior, Dálio Zippin Neto, Mozart Catão, Alexandre Oliveira e Othon Leonardos: primeiros alpinistas brasileiros a encarar a face mais perigosa do pico mais alto das AméricasO desafio de escalar o Monte Aconcágua, o mais alto das Américas (6.959 metros), utilizando a rota francesa, como é conhecida a face sul do maciço argentino, definitivamente não é tarefa para amadores. O caminho escolhido por cinco alpinistas brasileiros - os paranaenses Ronaldo Franzen Júnior e Dálio Zippin Neto, os cariocas Mozart Catão e Alexandre Oliveira, e o brasiliense Othon Leonardos - é considerado o mais perigoso do Aconcágua, com temperatura de 30 graus negativos, ventos fortes e constantes ameaças de avalanches. Os cinco integrantes são especialistas em escaladas de alta montanha.
O projeto, denominado Petrobrás nos Maiores Desafios, está orçado em aproximadamente R$ 40 mil. A equipe, que vem treinando há três meses e há dez dias passou por uma fase de polimento no Cume do Dedo de Deus (1.630 metros), em Teresópolis (RJ), com treinos coletivos para entrosamento, inicia viagem no próximo domingo, numa picape rumo a Mendoza, na Argentina.
A previsão é de que a aventura dure um mês e meio. Para melhor adaptação à altitude, a equipe fará primeiro a escalada da rota mais fácil do Aconcágua, na face noroeste. O ataque ao pico pelo sul só deverá acontecer nos primeiros dias de fevereiro.
É a primeira vez que uma expedição brasileira enfrenta a face sul do Aconcágua, um paredão de rocha e gelo com cerca 3 mil metros de altura. Conquistada em 1954, um ano após o Everest, essa rota só foi vencida por cerca de 1% dos alpinistas que chegaram ao topo do Aconcágua até hoje. Estamos preparados para tudo , mas os efeitos do El Ni¤o estão nos preocupando, diz Dálio Zippin Neto. Fotos recentes da montanha mostram que a via escolhida está totalmente coberta de gelo, quando o normal seria a existência de trechos em rocha bruta. Será uma escalada mais perigosa do que as outras. Em função da maior quantidade de gelo, vai exigir outra técnica.


