Paranaenses aprovam desarmamento
James Alberti
O projeto do governo Federal que vai proibir a venda de armas de fogo e acabar com a renovação de portes, enviado ao Congresso Nacional no começo do mês, tem aprovação de 69,71% da população do Paraná, revela pesquisa feita a pedido da Folha pela Paraná Pesquisas. Dos entrevistados, 23,53% disseram não concordar com a proibição; 5,59% responderam que depende; e 1,18% não responderam. Os jovens, entre 16 e 17 anos, são os que mais concordam com a proposta do governo. As mulheres aprovam a idéia mais que os homens, que se mostraram resistentes ao projeto.
A pequisa foi feita no dia 17 deste mês e ouviu 340 pessoas em Curitiba. A opinião refletida na consulta contraria a posição de alguns políticos do Estado e atinge o lobby da Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas (leia texto na página 2).
Dos entrevistados, 56,18% acreditam que a proibição vai reduzir os índices de violência. Para 36,47%, no entanto, o projeto, se aprovado, não irá diminuir os crimes. Outros 4,12% disseram que a redução da violência depende de outros fatores e 3,25% não responderam à pergunta.
Entre os que mais acreditam que o projeto governamental poderá reduzir a violência estão as pessoas de baixa escolaridade, com primeiro grau completo ou incompleto. Já os entrevistados com grau superior completo ou incompleto são os que menos acreditam na influência da lei nos índices de violência.
O estudo mostra ainda que 87,95% dos entrevistados disseram não ter arma em casa e 12,06% afirmaram ter uma ou mais armas. Dos que revelaram possuir arma, 92,68% nunca precisaram usar. As respostas confirmam que a maioria das armas usadas no País não são registradas e passaram a fronteira nacional de forma clandestina. O próprio Ministro da Justiça, Renan Calheiros, afirmou, ao anunciar o projeto, que circulam no Brasil 20 milhões de armas. Destas, apenas 1,5 milhão estariam registradas.
O advogado Leonel Amaral, presidente da Federação Paranaense de Tiro ao Alvo e secretário da Confederação Brasileira de Caça e Tiro, acredita que o governo devia apreender as armas ilegais, antes de desarmar a população. O projeto é a prova cabal de que o governo não tem condições de dar segurança à população, afirma. Além da segurança, a ameaça à prática do esporte preocupa Amaral.
O microempresário Beno Bohnen, 54 anos, que também participa de competições de tiro, concorda com o advogado. Dono de seis armas, quatro delas de calibre 12, Bohnen diz que o governo está punindo quem anda dentro da lei, que possui o porte. Por isso, mesmo que o projeto seja aprovado, ele afirma que não irá entregar as armas. Eu jamais vou entregar as minhas armas nem deixar de praticar o esporte, afirma.
O vendedor da Az de Espadas Paulo Cesar Andrade, que vende cerca de 70 armas ao mês, engrossa o coro contrário ao projeto. O governo é demagogo. Desarma quem morre e não quem mata, afirma. Conforme ele, uma pessoa que gasta cerca de R$ 1 mil numa arma e porte dificilmente comete um crime.
A afirmação, que pode parecer discriminatória, de certa forma recebe o aval do delegado Osmar Tadeu Cardoso, da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam). Segundo ele, mais de 90% dos crimes são cometidos com armas clandestinas. Quem tem porte dificilmente se envolve em crime, afirma.Pesquisa exclusiva da Folha revela que 69,71% da população do PR é a favor do projeto proibindo venda de armas de fogo
Albari RosaResistência ao projetoBeno Bohnen, microempresário de 54 anos, é proprietário de seis armas e participa de competições de tiro: O governo está punindo quem anda dentro da lei, afirma, fazendo referência ao projeto do governo federalJosoé de CarvalhoVitrine da Nick Armas, no Shopping Center Catuaí, em Londrina





