Desde 2004, quando teve início a Minustah, sigla em francês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, o sonho de muitos militares brasileiros é seguir para o país do Caribe e participar do batalhão brasileiro (Brabatt), que comanda a Minustah e é composto por aproximadamente 1,3 mil homens. Atuar em solo haitiano significa fazer parte de uma missão real, ajudar pessoas e ter uma bonificação no soldo. O número de militares que se voluntariam é sempre maior do que o número de vagas.
O Exército Brasileiro forma os contingentes tendo como base regiões do país, agrupando homens de um mesmo estado para formar o Brabatt. Atualmente, o pessoal do 11º Contingente, que já estava se preparando para deixar o Haiti quando aconteceu o terremoto, é do Estado de São Paulo. O 12º Contingente, que está com o embarque suspenso temporariamente por conta da tragédia, é do Rio de Janeiro. Em julho, embarcam homens do 13º Contingente, que será praticamente todo formado por militares que atuam no Paraná. As informações são do Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex).
Já estão selecionados soldados, cabos, sargentos e oficiais que atuam em brigadas e batalhões de Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu e Apucarana. Quando eles se voluntariaram, a situação no Haiti era bem diferente da atual, com o país devastado pelo terremoto, enfrentado escassez de água e alimentos, sem serviços de saúde e com instabilidade de segurança intensa. Mas nada disso assusta dois sargentos do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (Bimtz) de Apucarana selecionados para embarcar em julho.
Eles fazem parte dos 40 homens do Norte do Paraná, a maioria deles soldados nascidos em cidades da região. Nascido em Terra Boa (Noroeste) e criado no meio da roça de café, o sargento Fábio Ferri, 35 anos, casado e pai de dois filhos, formou-se técnico agrícola por conta da vida na lavoura, mas sempre quis ser militar, até que incorporou-se ao Exército. Já serviu na Amazônia, na região de fronteira com a Colômbia, e agora aguarda com ansiedade o momento de trabalhar em terras haitianas.
''As cenas que estamos acompanhando pelas tevês e pelos jornais chocam, mas não podemos nos deixar abalar por elas. Agora, estou mais motivado do que quando me inscrevi, pois aquelas pessoas estão precisando de ajuda. Fico feliz por ter a chance de ir até lá e contribuir para deixá-los em uma situação melhor'', comenta ele sobre a missão.
''Decidi ser voluntário porque entendo que temos a missão de contribuir para o bem das pessoas. Depois do terremoto, a vontade de ajudar passou a ser maior ainda'', completa o sargento Waldirlei José Barros, 25, que ainda curte os primeiros anos de casamento. Mineiro de Barbacena, ele escolheu trabalhar no Paraná devido à pujança do Estado.
Os militares de Apucarana já fizeram os exames médicos pedidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, a maioria goza férias para ficar em dia com os trâmites burocráticos trabalhistas antes de sair do Brasil. As próximaa etapas incluem exames psicológicos, treinamentos físicos, noções dos idiomas francês e crioulo e de garantia da lei e da ordem, que devem ser realizados em Cascavel e em Curitiba por instrutores do Exército que já participaram de missões de paz.
''Sabemos que, por conta dos trabalhos de reconstrução trabalharemos muito, principalmente provendo a segurança dos militares de engenharia. Portanto, o treinamento será fundamental'', ressalta o sargento Ferri.
De acordo com o Cecomsex, por enquanto o embarque dos paranaenses está confirmado para julho.

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