Cianorte A criatividade de um paranaense acostumado a inventar coisas no fundo do quintal da casa em Cianorte (80 km a leste de Umuarama) pode garantir um melhor controle da dengue. O invento do comerciante João Edson Donatti, uma armadilha capaz de capturar o mosquito adulto Aedes aegypt, transmissor da dengue, foi divulgado no XIX Congresso Nacional de Parasitologia, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na semana passada.
A armadilha é simples, feita com material reciclável (plástico), que utiliza a água como atrativo para a fêmea do mosquito. O produto, que já está patenteado, recebeu o nome de Adultprat (armadilha para adulto), se assemelha a um balde e possui seis peças capazes de capturar a fêmea. O mosquito não consegue colocar os ovos na água, vai em direção à luz natural e morre preso a uma tela.
O invento foi testado por dois anos pelo Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Foz do Iguaçu, que colocou 120 armadilhas nos bairros com os maiores índices de infestação do mosquito. Num prazo de 24 horas, cinco mosquitos foram capturados em apenas uma armadilha.
Segundo o chefe do CCZ, André de Souza Leonardo, o invento é uma das armas mais ''eficientes'' no combate ao mosquito, principalmente por não utilizar nenhum produto químico. ''Comparada a outro método de captura (que utiliza um aspirador com duas baterias) este invento é prático e considerado uma arma poderosa no combate à dengue'', afirmou.
A armadilha também serve como um indicador de risco para dengue através da quantificação da população de mosquito. ''Existe o interesse de outros países em adquirir a armadilha'', revelou. No ano que vem, testes serão realizados em outras cidades do Paraná, em outros estados do Brasil e países do Mercosul, com grandes possibilidades de o invento ganhar o mundo. A doença expõe ao risco aproximadamente 50% da população mundial.
Apesar da eficiência, o chefe do setor de Zoonoses alerta que a armadilha não dispensa o trabalho de controle feito por agentes de saúde e da própria comunidade, que precisa continuar mantendo os recipientes sem água, evitando a proliferação das larvas do mosquito. ''É fundamental que todo o controle seja mantido''.
A armadilha foi testada e aprovada por projeto financiado pela Secretaria Estadual da Saúde e Prefeitura de Foz e executado pela equipe de Entomologia do Estado em parceria com o CCZ de Foz do Iguaçu e Faculdade de Saúde da Universidade de São Paulo (USP). O custo da pesquisa até agora, de acordo com Leonardo, ficou em torno de R$ 15 mil. ''Um investimento muito barato pelo retorno que teremos''.

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