O jovem Leandro Johni de Souza, de 23 anos, está desaparecido desde o dia 5 de julho. Paranaense de Santo Antônio do Paraíso, ele tentou atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos ilegalmente utilizando o serviço de ''coiotes'', como são denominadas as pessoas que auxiliam os imigrantes a atravessar ilegalmente a fronteira.
No dia 5 de junho ele embarcou rumo ao México com três amigos para tentar a sorte nos Estados Unidos. A mãe de Leandro conta que tem tentado ligar para o telefone do recrutador, mas ele não tem atendido suas ligações. A pessoa responsável por ter recepcionado Souza e seus amigos no México também não atende aos chamados.
A reportagem da FOLHA ligou para a pessoa que recrutou os jovens no Brasil e conseguiu falar com o responsável por enviar as pessoas para o México. O intermediário, desconfiado, desligou o telefone e não atendeu mais os chamados. Antes de desligar disse que existem muitas pessoas de Londrina e da região que o procuram para realizar a travessia da fronteira do México com os Estados Unidos. Segundo relatos de pessoas ouvidas pela reportagem, o rapaz, que mora em Presidente Prudente, teria conexões com um brasileiro preso em Nova Jersey em junho deste ano por contrabando internacional de pessoas com outras cinco pessoas. Centenas de pessoas teriam entrado nos EUA por intermédio dessa quadrilha.
O pai de Souza, Paulino Menezes, a tia do rapaz, Paulina Menezes e a avó, Maria Ferreira da Silva, estão desesperados com a falta de notícias. Eles contam que existem rumores de que o rapaz teria morrido durante a tentativa de travessia do deserto.
''Os coiotes ligaram para a gente pedindo mais dinheiro, cerca de R$ 38 mil, e nós entregamos para a mãe de um amigo de Leandro para que ele repassasse aos coiotes, mas até agora não recebemos os comprovantes desse amigo e nem recebemos uma ligação de nosso filho'', conta Paulino.
A família vendeu o carro e o sítio e pegou empréstimos para pagar o que os coiotes pediam. A avó conta que até empréstimo no banco contraiu para que o neto chegasse são e salvo aos Estados Unidos. No último telefonema para os parentes, Souza estava com voz fraca e dizia que estava apanhando dos coiotes, que o pressionavam para que ele obtivesse mais dinheiro.
No dia 17, a família recebeu uma ligação, supostamente de um hondurenho, avisando que Souza teria morrido ao tentar atravessar a fronteira. O Itamaraty informa que nenhum dos consulados registrou a morte ou a prisão de Leandro Souza, tampouco sabe de seu paradeiro.

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