Luciana Pombo
De Curitiba
Transformar o Brasil num dos maiores parques científicos do mundo e integrar o desenvolvimento da Ciência nos países do Mercosul são os maiores desafios que estarão sendo enfrentados, nos próximos dois anos, pela paranaense Glaci Theresinha Zancan, que assume hoje à noite, em Porto Alegre (RS), o cargo de presidente da tradicional Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Aos 64 anos, ela pretende continuar o trabalho de divulgação da produção científica brasileira pelas universidades que fazem pesquisa em todo o País. ‘‘Atualmente 90% das universidades estão trabalhando no desenvolvimento da ciência nacional’’, diz ela. Glaci Zancan é chefe do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desde 1966, onde trabalha na área de bioquímica de microrganismos.
Entre as principais conquistas da SBPC, Glaci Zancan destaca a universalização da pesquisa nas universidades, transformando o Brasil no maior parque de pós-graduação da América do Sul. ‘‘Acho que a grande discussão deste momento é a reforma da universalidade, reforma de gerência, de definição de currículos, de prioridade de pesquisa’’, diz ela. ‘‘Acho que a evolução científica é muito rápida e precisamos nos adequar.’’
Em Porto Alegre, onde está desde o último sábado, Glaci Zancan participa da 51ª Reunião Anual da SBPC, que discute o ‘‘Mercosul e a queda das fronteiras’’. ‘‘Este é um assunto muito atual e que precisa ser ampliado para a área científica e cultural’’, declara ela. Para a professora, os países latino-americanos precisam unir os pesquisadores para fortalecer o progresso da Ciência na América do Sul. ‘‘Poderemos fazer redes de pesquisas, integrando-nos com peso científico igual ao da Comunidade Européia’’, diz.
Quanto as verbas do governo federal para o incentivo à pesquisa, Glaci Zancan afirma que faltam incentivos e que a sociedade tem o papel fundamental na busca de novos recursos para a Ciência e Tecnologia. ‘‘Temos que lutar, fazer lobbys e exigir recursos dignos no Congresso Nacional’’, salienta ela. A professora diz que os governos estaduais podem auxiliar neste processo de desenvolvimento científico e busca de recursos. Em São Paulo, por exemplo, uma fundação estadual de amparo à pesquisa foi criada para incentivar os trabalhos das universidades. ‘‘Estamos lutando há dez anos por isto no Paraná, mas ainda não conseguimos que a idéia fosse colocada em prática’’, afirma.
Glaci Zancan diz que nos últimos oito anos, o Departamento de Bioquímica da UFPR tem trabalhado com os trangênicos (polímetros vegetais que podem ser utilizadas para dar volume e consistência aos alimentos e cosméticos) e alcançado resultados satisfatórios. ‘‘Acho que o uso dos trangênicos é a maior revolução que estamos enfrentando neste período, isto é espetacular’’, diz ela.
Posse - Glaci Zancan foi eleita para comandar a SBPC até o ano 2001, no lugar do farmacólogo Sérgio Henrique Ferreira. Também fazem parte da diretoria a socióloga Vilma Figueiredo (vice-presidente), o matemático Marco Antônio Raupp (vice-presidente) e o biólogo Aldo Malavasi (secretário-geral).

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