Uma mulher em Curitiba acusa o ex-marido de ter sequestrado a filha do casal e de estar mantendo a criança presa na casa dos avós, que moram na Hungria. Lucélia dos Santos Brito e o húngaro István Magyar separaram-se em agosto de 1997. István voltou para a Hungria. A menina Elin Magyar, 3, filha do casal, ficou com a mãe, em Curitiba.
Em março deste ano, Lucélia recebeu uma carta do ex-marido, pedindo a ela que levasse Elin para visitar o avô. ‘‘István escreveu que seu pai estava muito doente. Achei correto levá-la, e fomos.’’
Lucélia disse que, ao chegar com Elin a Cegléd - cidade húngara em que István mora com os pais -, verificou que o sogro não estava mal, como foi dito na carta, e que o ex-marido se comportava de maneira ‘‘agressiva’’.
De acordo com Lucélia, o casal discutiu. ‘‘István escondeu o passaporte de Elin, me pôs para fora do apartamento e me proibiu de ver nossa filha’’, disse. Lucélia procurou a Embaixada do Brasil em Budapeste (capital da Hungria) e, segundo afirmou, não recebeu muita atenção. ‘‘Por fim, dois funcionários foram falar com István e me aconselharam a aceitar suas condições.’’
O ex-marido de Lucélia pediu que ela vendesse o apartamento em Curitiba e enviasse o dinheiro a ele para, então, rever a filha. Lucélia voltou ao Brasil sem a menina, entrou na Justiça e conseguiu, na Vara da Família de Curitiba, uma carta rogatória para busca e apreensão de Elin.
O documento foi traduzido para o idioma húngaro e enviado em junho aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, em Brasília, para ser executado. O assessor de Comunicação Social do Itamaraty, Francisco Carvalho Chagas, disse ontem que a Embaixada em Budapeste está acompanhando de perto a situação. ‘‘É praxe que as cartas rogatórias sejam encaminhadas à polícia local. Isto deverá ser feito também neste caso.’’

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