O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mais quatro hospitais do País vão selecionar, a partir desse mês, os pacientes brasileiros portadores de Leucemia Mielóide Crônica (LMC), que irão participar da segunda fase de estudos sobre o medicamento STI570. Chamado comercialmente de Evolex, apesar de ainda estar em testes, o remédio vem sendo considerado a grande esperança mundial para a cura desse tipo de câncer.
Testes realizados nos Estados Unidos, desde 1998, junto a 84 pacientes apresentaram, até agora, resultados surpreendentes para a classe médica. De acordo com a hematologista Junia Melo, do Hammersimith Hospital de Londres, que trabalha com a droga em laboratórios há quatro anos, 100% dos pacientes tiveram o hemograma normalizado no prazo de três semanas depois de começar a usar a droga e em 50% as células cancerígenas foram totalmente eliminadas durante o tratamento.
‘‘O medicamento ainda está em estudos. É preciso mais tempo e maior quantidade de pacientes testados para se saber exatamente o que significam esses resultados’’, ressalta o diretor do setor de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HC, Ricardo Pasquini. A hematologista completa lembrando que ainda se desconhece se o portador da LMC terão de usar o STI571 durante toda vida como forma de inibir o aparecimento de novas células cancerígenas ou se o medicamento pode representar a ‘‘cura’’ definitiva da doença.
O uso do medicamento no Brasil foi divulgado ontem, em São Paulo, pelo diretor Branderley Claudio de Relações Externas da Novartis Setor Farma, laboratório farmacêutico responsável pelos estudos da droga. A divulgação foi feita na presença de médicos, representantes dos cinco hospitais brasileiros que integrarão os estudos e pacientes de diversos estados.
Nesta segunda fase, o remédio passa a ser testado em mais 25 países. No Brasil, além do HC da UFPR, também integram as pesquisas o Instituto Nacional do Câncer (Inca) do Rio de Janeiro e três instituições de São Paulo: o HC/Hemocentro, Santa Casa de Misericórdia e Hospital Israelita Albert Einstein. Até o final do mês o laboratório pretende credenciar também uma instituição do nordeste.
Os centros de tratamento já têm cadastrados um total de 166 pacientes interessados em fazer os estudos no Brasil. Para participar do programa, entretanto, o doente tem que estar impossibilitado de fazer transplante de medula óssea e ser refratário ao tratamento com Interferon, medicamento mais eficaz usado até então. ‘‘Será dada prioridade a quem tiver maior risco de vida’’, explicou Pasquini.
Para obter mais informações e inscrever-se no programa, as pessoas podem contatar o laboratório Novartis pelo telefone 0800-113003.

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