Como nenhum município dispõe de condições para competir com a produção de lixo, a solução é investir na educação da população visando a diminuição na geração de resíduos sólidos. Essa é a filosofia que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) quer implantar para tentar minimizar os impactos ambientais gerados pelos aterros sanitários e lixões nas cidades. O volume diário de lixo produzido nos 399 municípios paranaenses é de aproximadamente cinco mil toneladas.
O coordenador de resíduos sólidos da Sema, Carlos Alberto Hirata, diz que a nova política tem a intenção de resolver a questão não apenas aplicando a legislação, autuando e multando as prefeituras, mas pensando numa saída a longo prazo. Foi por essa razão que a Sema solicitou aos escritórios regionais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que vistoriassem todos os lixões e aterros sanitários das suas respectivas áreas. ''A intenção é trabalhar a educação focada na não-geração, com metas reais a serem cumpridas'', reafirma Hirata. A nova orientação, por exemplo, poderá incentivar empresas a estimularem seus consumidores a devolverem as embalagens usadas concedendo vantagens.
A estrutura do projeto da Sema está assentada em três grandes temas. O primeiro é a definição do zoneamento ecológico. Os municípios deverão construir um planejamento capaz de conciliar a questão ambiental com as questões sociais e econômicas. Outra nova diretriz será a instituição da ''Bacia Azul'', um sistema que pretende abranger e recuperar todos os municípios vinculados a uma determinada bacia hidrográfica. Um terceiro e último ponto é a certificação do ''Município Verde'', destacando as cidades que tratam com responsabilidade a questão ambiental. ''Não importa que mude a cor do adesivo (com a mudança de prefeitos). Importa mais que a sociedade saiba qual a política a ser seguida'', comenta Hirata.
Ele entende que iniciativas como a coleta seletiva do lixo são importantes, mas devem ser vistas como parte do processo de tratamento. ''Não é a solução para os problemas (a coleta seletiva). É preciso inserir dignamente as pessoas no processo produtivo.''
Os primeiros passos que a Secretaria pretende dar em direção a essa nova política será no sentido de melhorar a qualificação dos profissionais que trabalham na fiscalização e vistoria na Sema, no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e na Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). Além disso, serão treinados também os encarregados pelos aterros sanitários dos municípios.

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