Curitiba - O Paraná será o terceiro estado brasileiro a realizar um inventário sobre a quantidade de gases causadores de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera. A intenção é saber o quanto as indústrias paranaenses contribuem com essas emissões, que causam, gradativamente, o aquecimento global, e definir políticas públicas para contribuir com a preservação do meio ambiente.
A discussão foi lançada ontem no workshop "Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa", realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que coordena o projeto. Além do Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Fiep, participaram da reunião estados com experiência na elaboração do projeto, empresas que já fazem o controle de emissão e indústrias que desejam adotar a medida.
O workshop discutiu de que forma o Paraná pode realizar seu inventário e como ele pode ser útil não só para redução e compensação de emissões de gases, mas como esse controle pode contribuir para o desenvolvimento industrial do Estado. De acordo com o coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiep, Roberto Grava, as 50 maiores indústrias de diferentes segmentos (como papel, alimentação, fertilização, cimento, etc.) deverão ter sua produção de gases de efeito estufa contabilizadas na estimativa.
A previsão é de que os primeiros resultados sejam publicados dentro de um ano. Para Grava, esse diagnóstico ajudará o Estado a saber qual é o impacto da indústria paranaense nas emissões de gases de efeito estufa. "Esse é um passo importante que as indústrias estão dando para colaborar com o meio ambiente. Temos que continuar produzindo, mas ecologicamente", avaliou Grava.
Entre todos os estados brasileiros, apenas Rio de Janeiro e Minas Gerais já realizaram trabalho semelhante. A emissão de gases causadores de efeito estufa não é controlada pelos governos, pois não são considerados poluentes. Apenas os chamados gases regulados passam por um controle de emissão. No entanto, especialistas já reconhecem a contribuição dos GEE para o problema do aquecimento global. Na opinião de Grava, a tendência é que a emissão de gases de efeito estufa seja controlada. "Chegaremos a um nível de controle, mas não há como prever quando", diz.
Para o analista de Ciência e Tecnologia da gerência de Avaliações Ambientais e Mudanças Climáticas da Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (FEAM-MG), Luiz Gonzaga Rezende Bernardo, ainda vai demorar um tempo para que seja regulamentado um limite máximo de emissão. Ele diz, no entanto, que, em Minas Gerais, onde o inventário ficou pronto no final de 2008, o governo já discute estímulos fiscais e de crédito para indústrias que controlam a emissão de gases. "A importância desse projeto é que o governo pode traçar uma série de políticas públicas para a questão da mudança climática", diz Bernardo, que participou da elaboração do inventário mineiro e passou a experiência para o Paraná.
Algumas empresas já realizam, voluntariamente, seus inventários. Entre as indústrias, que atuam no Paraná e fazem o controle corporativo de emissão, estão a Petrobrss, a Fosféril e a Votorantin. Representantes das indústrias participaram do workshop e falaram sobre a experiência de se ter em mãos a estimativa. Para o engenheiro de meio ambiente da Petrobras, Rodrigo Chaves, o aspecto mais importante do levantamento para a empresa é conseguir conciliar o crescimento da produção sem aumentar os níveis de emissão de gases. "O grande ganho é a conscientização para as mudanças climáticas. Essa é a primeira ação para que se possa tomar outras medidas", diz.

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