Curitiba - Até o final de setembro, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) vai aumentar de 110 para mais de 500 as unidades de testagem rápida para diagnóstico do HIV. O objetivo é facilitar o acesso da população ao teste Anti-HIV e, consequentemente, possibilitar o diagnóstico e o tratamento precoce da doença. Desde o primeiro caso notificado no Estado - em 1984, em Londrina - até hoje somam 22.196 pessoas com Aids, das quais 34,9% já faleceram. Mas a estimativa é que existam 120 mil soropositivos no Paraná, sendo que a metade desconhece a sua sorologia, ou seja, nunca fez o teste anti-HIV.
De acordo com a coordenação da Divisão de Vigilância e Controle de DST/AIDS do Estado, o teste convencional enviado ao laboratório demorava entre dez e 30 dias para ficar pronto. Com o Teste Rápido de triagem qualitativa para detecção de anticorpos para HIV-1/2 - Bio-Manguinhos (criado pela Fundação Oswaldo Cruz, RJ), o resultado sai em 45 minutos.
O teste rápido lembra ''grosseiramente'' os testes de gravidez de farmácia e se baseia nas tecnologias de imunocromatografia e fluxo lateral. Um coquetel de antígenos detecta anticorpos para HIV-1/2 em soro, plasma e sangue total. Basta uma gotinha de sangue para realizar o exame, que é 100% seguro, como garante o Estado e o Governo Federal, fornecedor dos testes.
''O resultado é muito rápido e pode mudar drasticamente a vida da pessoa. Por isso é importante tranquilizá-la enquanto aguarda o resultado. Se der positivo, ela precisa de orientação para buscar tratamento e se der negativo, precisamos educá-la para que ela continue negativa por toda vida, porque ela já demonstrou ter vulnerabilidade, o comportamento de risco'', esclarece Francisco Carlos dos Santos, coordenador da Divisão de DST/Aids. Segundo ele, se os resultantes forem discordantes, se faz um terceiro para conclusão.
As unidades de testagem rápida serão implantadas em maternidades e unidades básicas de saúde. A Sesa garante que todos os 399 municípios terão, ao menos, uma dessas unidades. O investimento nas unidades, segundo Santos, se resume a capacitação de recursos humanos. ''Muitas pessoas deixam de fazer o exame devido a distância das unidades de saúde que realizam o exame e também pela morosidade do resultado. Com essa ampliação, esperamos reverter esse quadro'', aposta
Até maio, foram notificados 207 novos casos de pessoas que vivem com a Aids neste ano e 30 mortes. Em 2008, foram 254 óbitos. ''Só são notificados os casos das pessoas que são doentes de Aids, que é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, além de também existir a sub-notificação. O número de pessoas infectadas pelo vírus, que não apresentam a doença instalada, é cerca de cinco vezes maior'', pontua Santos, reforçando que o diagnóstico precoce facilita o tratamento de qualquer doença imunodeprimível e que maiores de 14 anos não precisam de autorização dos responsáveis para fazer o teste rápido.
''O paciente soropositivo que visita o médico regularmente, se cuida e faz os exames de rotina pode viver 20 anos com qualidade de vida, embora o soropositivo ainda sofra com o estigma da doença'', destaca ele, lembrando que de outubro a dezembro de 2008 foram realizados 50.230 testes rápidos com a população paranaense, pela primeira vez, durante a campanha nacional ''Fique Sabendo''. No total, 527 resultados deram positivos.

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