Quando o assunto é incêndio ambiental, os números da Defesa Civil do Paraná são alarmantes. Só na primeira quinzena do mês de agosto foram registrados no Estado aproximadamente 1,6 mil incêndios florestais. Do início do ano até o fim do mês de julho foram mais de seis mil ocorrências desse tipo.
Para se ter uma idéia, em um monitoramento diário via satélite feito pela Defesa Civil, hoje todo o Paraná apresenta risco extremo ou elevado de incêndio florestal (veja nesta página).
''No momento, uma série de fatores faz com que fiquemos preocupados. As temperaturas estão altas demais para esta época do ano, quando atravessamos um período de estiagem - característico da estação -, que deixa a umidade relativa do ar muito baixa. Juntamos a isso o fato de a vegetação ainda estar sofrendo os efeitos das geadas recentes, ou seja, está seca'', relata o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. ''Há também o fator da ação humana. Na maioria dos casos o incêndio não começa sozinho, o homem é o agente causador. Notamos que no Paraná as pessoas têm uma cultura de colocar fogo em tudo. Precisamos mudar isso'', completou o tenente.
A falta de cuidado pode ter sido a causa de um incêndio que aconteceu anteontem em Piraí do Sul (74 km ao Norte de Ponta Grossa). Segundo o engenheiro florestal de uma empresa da região, Paulo Machado, bóias-frias que trabalhavam em uma área de capina teriam feito uma pequena fogueira para esquentar o almoço e perderam o controle do fogo, que se espalhou e atingiu uma área de reflorestamento, com 100 hectares de pinus. Homens do Corpo de Bombeiros de Jaguariaíva e de indústrias de papel da região trabalharam durante dez horas para conseguir controlar o incêndio, porém 40 hectares foram queimados.
O tenente Pinheiro lembra que preocupação em evitar e combater as queimadas fez com que o Paraná criasse, em 1998, o Plano Mata Viva, que integra diversos órgãos governamentais. ''É preciso um esforço conjunto, pois se trata de algo muito sério. Atualmente, o nosso Estado tem menos de 20% de sua cobertuta vegetal nativa. Não podemos perder mais florestas'', enfatiza Pinheiro.
Questionado sobre qual seria o grau de preocupação - em uma escala de 0 a 10 - das instituições que fazem parte do Mata Viva em relação às queimadas, ele é enfático. ''Na situação atual é 10.''
O controle rigoroso e a preocupação em relação aos incêndios das autoridades ambientais do Estado, faz lembrar o tenente lembrar mês de agosto de 1963, quando o fogo consumiu dois milhões de hectares do Paraná e matou 73 pessoas. ''Hoje nem temos tanta cobertura vegetal para ser queimada, mas não estamos livres de uma catástrofe'', ressalta Pinheiro.
Os dados da Defesa Civil também demonstram em quais regiões paranaenses o problema das queimadas é mais sério. A região de Maringá lidera as tristes estastísticas. Londrina, Cascavel e Curitiba aparecem na sequência, praticamente empatadas na quantidade de ocorrências. ''Não sabemos por que o problema é maior em Maringá, uma vez que proporcionalmente a região tem o mesmo tamanho das outras, mas podemos afirmar que os incêndios acontecem mais comumente em regiões de grande concentração humana'', finaliza o tenente. (Leia sobre aquecimento global no Especial)

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