Paraná tem redução de casos de Aids
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
O número de casos de Aids registrados no Paraná está diminuindo. É o que apontam os dados do novo Boletim Epidemiológico, divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde. Segundo o estudo, em 2007 foram 1.699 casos no Estado. Esse é o menor número de contaminações desde 2002 quando foi registrado o maior índice, 2.199 casos.
De acordo com o ministério, estaria havendo uma "estabilização" da epidemia na região Sul do País. Em 2000, foram notificados 26,3 casos por grupo de 100 mil habitantes. Em 2006, esse número passou para 28,3.
De 1984 até o hoje, a Secretaria Estadual de Saúde registrou a ocorrência de 20.335 casos no Paraná. O boletim do Ministério da Saúde aponta que, em 2007, 513 pessoas morreram em decorrência da Aids no Estado. Esse número é um pouco menor do registrado em 2006, quando foram registrados 578 óbitos.
Apesar do número de casos estar diminuindo, é preciso cuidado para não criar a sensação de que a doença está controlada. O alerta é da presidente da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Silvana Gomes dos Santos. Segundo ela, a epidemia estaria aumentando, mesmo que os órgãos oficiais digam o contrário. "As mortes diminuíram, mas as contaminações aumentaram", afirma.
O responsável por esse fenômeno seria a sobrevida dos pacientes adultos que aumentou de 51 meses, em 1995, para 108 meses, em 2007, alavancada por medicamentos anti-retrovirais mais potentes, diagnóstico precoce e acompanhamento correto da doença. Na avaliação de Silvana, esse tipo de informação pode ter efeito contrário ao das companhas de prevenção e reforçar um sentimento de "falsa tranquilidade". Segundo ela, é comum encontrar hoje pessoas que vão até a associação em busca de medicamentos após terem se exposto a uma relação sexual sem preservativo. "As pessoas estão banalizando a infecção por HIV", observa.
Soropositivo há mais de 17 anos, Silvana considera necessária a intensificação das campanhas de prevenção, reforçando a necessidade do uso do preservativo e mostrando os pesados efeitos colaterais dos coquetéis de medicamentos. "As pessoas pensam que é só engolir o comprimido e tudo bem, mas não sabem que são drogas fortíssimas", diz.


