Paraná tem mil à espera de nomeação
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Patrícia Zanin 
Cerca de mil pessoas em todo o Estado, aprovadas em concursos feitos pelo governo do Paraná em várias áreas, estão na fila de espera para serem contratados, mas não há previsão de data para a admissão. A informação é do secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho. Segundo ele, o problema é financeiro. Precisamos adequar as necessidades de pessoal à lei Rita Camata, que obriga estados e municípios a gastar até 60% de suas receitas com pagamento de pessoal, explicou Campêlo. O governo usa 72,4% de sua receita com os salários, cerca de R$ 200 milhões por mês.
Ele informou que as secretarias de Governo, da Fazenda e da Administração estão elaborando estudos a pedido do governador Jaime Lerner (PFL) para definir áreas prioritárias de contratação. Estamos avaliando o que é indispensável, do indispensável do indispensável, disse Campêlo.
No início deste mês, o governo chegou a divulgar que iria nomear 140 agrônomos e veterinários aprovados em concurso da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mas as contratações não ocorreram. Os decretos de nomeação estão prontos, mas o governo ainda não sabe quando elas deverão ser feitas.
Ele explicou que não se trata de problemas com a legislação eleitoral, como chegou a ser cogitado. A lei eleitoral proíbe novas contratações a partir de 3 de julho. Segundo ele, os concursos feitos pelo governo já estão homologados. A lei não veta a contratação dos aprovados em concursos homologados até o dia 3, explicou.
A falta de contratação emperra o programa do Ministério da Agricultura que libera o Estado para exportação de carne bovina junto à comunidade européia. A demora já comprometeu os planos do setor pecuário em solicitar junto à Organização Internacional de Epizootias (OIE), na França, a declaração do Paraná como área livre de aftosa.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) informou que pela programação dos estados que formam o circuito do Centro-Oeste (Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas), o exame de sorologia no rebanho (função que seria desempenhada pelos profissionais) seria realizado este ano pelos profissionais contratados, e o pedido de reconhecimento de área livre pela OIE seria feito em 1999. Com o atraso , o Estado, segundo a Faep, só poderá fazer a sorologia no ano que vem e pedir a declaração no ano 2000.
Técnicos da Seab também afirmaram que as contratações são essenciais e que o adiamento da admissão dos agrônomos e veterinários prejudicou a linha de frente de atuação da Seab.
Teve gente que até deixou o emprego já com a perspectiva de contratação imediata porque o governo divulgou isso e agora, sem emprego, está passando por dificuldades, disse à Folha uma profissional aprovada que preferiu não se identificar.


