Paraná tem apenas seis CCZs
''Só resta mesmo a criação de uma política de médio a longo prazo para o controle da população animal'', sugere o veterinário Paulo Guerra, coordenador estadual do Programa de Raiva Urbana da Secretaria de Saúde do Paraná.
Segundo ele, hoje o Paraná conta apenas com seis centros de controle de zoonoses, quatro deles criados com verbas do Ministério da Saúde - Curitiba, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu e Maringá - e dois por iniciativa das próprias prefeituras, como é o caso de Pinhais e Araucária.
São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu tiveram prioridade por se tratarem de cidades com aeroportos e no caso de Foz, por fazer fronteira com o Paraguai, onde a raiva ainda não foi totalmente controlada.
''Nem todo município comporta um CCZ. Além disso, a Secretaria estadual não oferece financiamento'', justifica Guerra, explicando que ter registros recentes de casos de raiva humana e raiva canina são pré-requisitos para a criação de um centro. Os municípios ainda devem ser capitais, cidades-pólo ou ter mais de 200 mil habitantes para comportar a unidade.
Conforme Guerra, o último caso de raiva humana registrado no Paraná aconteceu em 1987 e o último registro de raiva canina em 2002, ''por isso não se vê tanto CCZ no Sul e mais no Nordeste do País'', informa o coordenador.
''O valor disponibilizado pelo governo federal para a construção de um centro de controle de zoonoses varia entre R$ 200 mil e R$ 400 mil e como a contrapartida municipal é muito alta, muitas cidades desistem do projeto, como é o caso de Londrina e Cascavel, que devolveram o dinheiro do ministério'', conta o coordenador.
Segundo ele, as prefeituras se assustam porque têm a informação equivocada de que o centro de zoonoses funciona como uma carrocinha, capturando os animais das ruas para matá-los. ''Já ficou comprovado que matar o cão não combate a superpopulação, que só pode ser controlada com mudanças na mentalidade do poder público e da sociedade.''
Para Guerra, o cachorro deve ser responsabilidade do dono e como hoje o animal já não vive mais sem o ser humano, uma saída seria rastrear o cão e penalizar quem o abandonou. ''Mas antes de tomar qualquer medida é preciso discutir melhor a questão com a população. Envolver executivo, legislativo e também as sociedades protetoras dos animais para saber como a cidade trata seus cães'', opina o coordenador.
O registro geral do animal (RGA) pode ser um modo eficiente de controlar o crescimento da população canina nas cidades, assim como a restrição alimentar e a castração. Para Guerra, ''se o cão for de rua, melhor que esteja vacinado e castrado, assim ele impede que outro animal ocupe o mesmo espaço que ele.''
''Em Curitiba já foi colocada em prática a experiência do cão comunitário. A prefeitura castrou e vacinou os animais e os devolveu para o ambiente. É uma evolução no controle de animais, mas a população teve uma interpretação errada e surgiram várias denúncias'', cita o coordenador, ressaltando que este tipo de trabalho só funciona se integrar ONGs, universidades e comunidade. (M.G.)





