Com 399 municípios e 9,558 milhões de habitantes, o Paraná conta com apenas um hospital para atender vítimas de queimaduras: o Hospital Evangélico de Curitiba, com 22 leitos para adultos e mais 13 para crianças. O hospital atende tanto casos particulares quanto pacientes cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Folha apurou que a ala de atendimento a queimados tem ocupação de 100% a maior parte do tempo.
A Secretaria Estadual de Saúde apontou que no ano passado divulgou uma portaria para credenciar hospitais particulares para o atendimento a queimados mas não houve interesse. Quanto aos hospitais públicos, não há previsão para que passem a atender esse tipo de paciente. O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, disse que o principal problema para instalação de uma ala para queimados em Londrina é o custeio. ‘‘São pacientes que ficam internados por um período grande de tempo, precisam de cirurgias e de pessoal especializado’’, comentou. O município, segundo ele, não tem condições de arcar com esses custos, pois mais de 20% da arrecadação municipal já são gastos na área de saúde.
No Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram atendidos, improvisadamente, 221 casos envolvendo queimaduras apenas no ano passado, com seis mortes. As queimaduras foram provocadas, em sua maioria, por fogos de artifício, água quente ou produtos químicos.
O problema de falta de leitos para esse tipo de atendimento ficou evidenciado com os casos do proprietário de açougue, Ailton Albuquerque Júlio, 33 anos, e do açougueiro Franklin da Cruz Gonzaga, 23 anos, ambos de Londrina. Eles sofreram queimaduras graves no último sábado à tarde, quando um vazamento de gás provocou uma explosão no interior do estabelecimento, localizado na Rua Santos (centro).
Ailton foi transferido da Santa Casa de Londrina para o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP), em Ribeirão Preto (interior de SP), porque não havia leito vago no hospital da capital. Ele está internado na unidade de emergência, com queimaduras graves e sob observação rigorosa.
Franklin continua internado na UTI da Santa Casa de Londrina. Segundo o diretor-técnico do hospital, Sérgio Canavezzi, ele teve 80% do corpo queimado e seu estado é grave. ‘‘O mais importante agora é manter suas funções respiratória e circulatória estabilizadas’’, precisou o médico. Somente após essa etapa é que Franklin poderá ser transferido para uma unidade especializada no atendimento de queimados. Canavezzi garantiu que o paciente não está tendo prejuízos em permanecer na Santa Casa e que uma equipe de cinco especialistas monitoram suas condições.
Para receber contas de clientes e doações da população, familiares de Ailton e funcionários do açougue estão se revezando num plantão improvisado em frente ao açougue. A ajuda, segundo Eliana Albuquerque, irmã de Ailton, servirá para cobrir os gastos com a transferência das vítimas, que custará R$ 12 mil. Quem quiser ajudar deve ligar para (43) 338-2531.

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