Curitiba - As razões mais comuns que levam os idosos aos abrigos são a solidão (25% deles) e a doença (28%) - em muitos casos (25%), as duas situações. Esta é uma das conclusões de um estudo feito pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimentos Econômico e Social (Ipardes) sobre idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência (ILPIs). Realizado em conjunto com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o trabalho, apresentado ontem em Curitiba, é resultado de visitas a 291 instituições em 165 municípios, realizadas entre novembro de 2006 e novembro de 2007. Foram entrevistados 432 idosos, 227 dirigentes e 405 profissionais.
Até o fim do estudo, o Paraná tinha 6.499 idosos vivendo nas instituições, sendo que 83% deles têm mais de 60 anos. O número representa apenas 0,53% do total de idosos no Estado. Para Maria Luiza Marques Dias, coordenadora do estudo, é preciso voltar um olhar mais atento para a situação para evitar o agravamento de problemas que são comuns hoje.
Segundo a pesquisa, apenas 38% dos entrevistados estão nas instituições por vontade própria. Muitos idosos sentem-se só, mas a maioria possui família. Estima-se que 92% dos entrevistados tenham familiares e 86% recebam visitas. As declarações dos idosos contrastam com a dos profissionais entrevistados. Segundo eles, 44% dos idosos reclamam do abandono familiar e 18% da solidão. ''O abandono ao idoso é visível. A sociedade tem de encarar o envelhecimento de outra forma. Viver em uma instituição não significa uma quebra de laços com as famílias'', diz Maria Luiza.
Outro problema detectado pelo estudo, diz Maria Luiza, é em relação à infra-estrutura dos locais e ao pessoal especializado para cuidar dos idosos. Mais de 50% dos responsáveis pelas pessoas com mais de 60 anos são os chamados cuidadores de idosos. Porém, 40% deles possuem apenas o ensino fundamental e 1% não tem nenhum tipo de instrução para desempenhar a função - apenas 8% tem algum tipo de qualificação na área.
Além disso, há uma carência de atividades. Na maioria do tempo e para grande parte deles, a televisão é a única companheira. Maria Luiza diz que mesmo com a condição adversa de solidão e abandono, a maioria ainda tem perspectivas e planos na vida. ''Eles gostam de ter atividades, mas estas não são frequentes'', revela.
Para a pesquisadora do Ipardes, a constatação é preocupante, já que existe uma carência de terapeutas ocupacionais, responsáveis por elaborar atividades no tempo ocioso. Eles somam apenas 0,2% dos profissionais entrevistados. O acompanhamento de profissionais da saúde, que poderiam oferecer melhores condições de vida, também é insuficiente. Apenas 15,1% dos funcionários das instituições são auxiliares de enfermagem. Os técnicos em enfermagem somam 11,9%, os enfermeiros são 3,4% e fisioterapeutas, 2,9%.
O estudo conclui que 87% dos idosos ficam nos asilos até morrerem. O número de reintegração com a família ou troca de instituição ainda é pequeno. A população brasileira está envelhecendo, cada vez mais, comprova o censo demográfico realizado em 2000. A pesquisa constatou um crescimento de 17% da população idosa, somando quase 15 milhões de brasileiros com mais de 60 anos.

mockup