Paraná tem 3 mil pessoas na fila por um transplante
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Vitor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O dia 27 de setembro é o Dia Nacional de Doação de Órgãos, mas os números indicam que a data não é motivo de comemoração, já que atualmente existem 3 mil pacientes na fila de transplantes no Paraná. Segundo a coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET), Arlene Bardoch, no último dia 1º foi lançada, no Estado, a campanha "Doação de órgãos. Fale sobre isso", que visa incentivar a conversa entre as famílias sobre o desejo de doar órgãos. No último fim de semana, ela e outros profissionais estiveram no Boulevard Residence Hotel, em Londrina, para ministrar palestras sobre o diagnóstico de Morte Encefálica e Diretrizes da Manutenção Hemodinâmica do Potencial Doador. Esse curso foi dirigido especialmente para os profissionais das Unidades de Terapia Intensiva e Urgência e Emergência da rede hospitalar da região com o objetivo de aumentar o número de doadores no Estado.
Arlene revelou que para alguns tipos de transplantes, como o de córneas, o Paraná chegou a zerar a fila de pacientes, mas recentemente a CET tem registrado um aumento desta fila novamente. "A fila de pacientes tem aumentado porque pessoas de outros estados vieram para cá atraídos pela pouca fila que existia no Estado", destacou. Conforme ela, no Paraná, cerca de 55% das famílias se recusam a doar qualquer órgão ou tecido. "É um índice muito alto causado possivelmente por desconhecimento do processo e pela falta de confiança na estrutura", analisou. Para ela, é preciso que haja um processo de humanização dos hospitais. "A família, muitas vezes, não é tão bem orientada e esclarecida e o hospital possui o papel de informar todo o diagnóstico antes da morte do paciente", explicou.
Ela lembrou que da lei que previa que as pessoas se manifestassem sobre o interesse de se tornar doadoras de órgãos em documentos de identidade e carteiras de habilitação, um ato que ficou conhecido como doação presumida, mas a coordenadora ressaltou que a legislação era muito avançada para o nível de informação da época. "Depois que foi promulgada a lei, houve um retrocesso no número de doadores devido à desinformação", declarou. Arlene revelou que o número de doadores caiu tanto e de forma tão abrupta, que foi solicitado que a lei fosse revogada. "Não durou mais do que um ano", relembrou. Desde então o que tem sido utilizado é a autorização requerida, na qual os familiares são consultados sobre a possibilidade de doação.


