Uma reclamação recorrente da população ganhou eco ontem na voz do delegado-chefe da Divisão de Policiamento do Interior, Luiz Alberto Cartaxo Moura, que admitiu que a falta de efetivo policial não é um problema só de Londrina mas de todo o Estado. ''O policiamento não é suficiente como não é em todo o Paraná. Temos, por exemplo, 26 comandos sem delegado, e cidades sem um único policial civil'', enumerou, lembrando que a contratação de novos policiais é um processo complicado. Logo em seguida, ele emendou que a culpa ''não é só do Governo''.
Por isso, o delegado-chefe citou que a manifestação ''Chega de Luto'' foi positiva em vários aspectos. ''O principal foi a tomada de consciência dos londrinenses em relação à segurança. Embora os índices de homicídio tenham diminuído nos últimos anos, a movimentação aconteceu porque a criminalidade começou a atingir a camada de formadores de opinião. Eles reagiram com o movimento e têm condições de tomar parte em tudo o que diz respeito à segurança'', avaliou.
Segundo Cartaxo, a cidade vive um momento em que o crime saiu da periferia e vem atingindo o centro, mas a tendência é essa. ''Nós trabalhamos com os efeitos. É preciso trabalhar as causas enquanto é tempo, envolvendo todos os segmentos sociais. A segurança é dever do Estado e responsabilidade de todos. É preciso que a população assuma essa responsabilidade, promovendo a inclusão social, em especial dos jovens. Espero que o movimento sirva para isso principalmente.''
Para o delegado, o aumento - ''nada tão significativo'' - dos crimes contra o patrimônio, principalmente na região central que, segundo ele, teria sido identificado há dois meses e informado ao comando, e os dois latrocínios que chocaram a população (de um pastor dentro da igreja e de um estudante dentro de casa), foram fatores determinantes para o aumento da sensação de insegurança na cidade.
Contra-ataque - O coronel Celso José de Mello, comandante do Policiamento do Interior, citou que o contra-ataque do Governo foram as várias forças-tarefa realizadas nas últimas semanas em Londrina e região por grupos táticos oriundos da capital e do Interior. ''Fizemos um esforço concentrado para dar uma resposta imediata à população'', justificou. Para ele, o problema tem ''solução caseira'', referindo-se aos 178 policiais em formação disponibilizados para atuar nas ruas da cidade. As duas ações foram anunciadas dois dias antes do protesto realizado anteontem.
O coronel informou que a formatura dos novos policiais está prevista para setembro, e o efetivo deverá atuar em Londrina, Cambé, Ibiporã e Tamarana. ''A maior parcela vai ficar em Londrina, inclusive para compor a 4 Companhia (na Zona Norte)'', adiantou. Segundo ele, até a formatura, os ''estagiários'' deverão ampliar o policiamento para todos os centros comerciais da cidade. ''Assim que tiverem autorização para portarem armas, eles devem visitar também as regiões de maior risco, para conhecer a realidade local'', complementou.
Mello afirmou ainda que a integração entre as polícias Militar e Civil também é outra frente que o Governo investe. Hoje, segundo ele, as duas forças atuam embasadas pelo mapa do crime (sistema de geoprocessamento das ocorrências), concentrando esforços nos ''pontos mais quentes''. O mesmo sistema permite que o Governo controle o trabalho, fiscalize as ações e cobre melhorias.
O coronel aproveitou ainda para comentar sobre a ida dele e de Cartaxo até o Calçadão durante a manifestação ''Chega de Luto'', que reuniu milhares de pessoas para pedir mais segurança na cidade. ''Lá era o nosso lugar, e onde tínhamos que estar. Junto aos segmentos sociais. Estamos dialogando com a sociedade civil e isso é muito positivo'', comentou. Daqui para frente, Cartaxo e Mello recomendaram aos comandos das políciais Militar e Civil que se aproximem o máximo que puderem da comunidade. ''Faltava sintonia da fala entre comunidade e Polícia'', afirmou o coronel.

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