Pelo menos 2.096 paranaenses aguardam, com ansiedade e agonia, um transplante de órgão ou medula óssea, segundo levantamento feito pela Folha. O tempo de espera varia muito, mas pode superar um ano. As principais causas da demora são a falta de doadores e problemas de compatibilidade entre doador e receptor.
Segundo Djanira da Costa Pontani, coordenadora da Central de Transplantes da Secretaria Estadual da Saúde, a nova Lei de Transplantes (9.434/97), em vigor desde fevereiro de 97, melhorou a informação e ajudou a combater o preconceito em relação à doação de órgãos, mas ainda não aumentou de maneira significativa a captação.
‘‘A lei deu oportunidade para as pessoas discutirem a questão, o que poderá melhorar a captação no futuro’’, afirmou Djanira. A secretaria não tem levantamento comparando o número de doações entre os dois períodos – antes e depois da lei. A principal inovação da lei 9.434/97 é que todos os brasileiros passaram a ser doadores presumidos de órgãos e tecidos, a não ser que expressem, por escrito, vontade em contrário em documentos oficiais. Apesar disso, os serviços de saúde continuam respeitando a vontade da família do morto, mesmo que isso contrarie um desejo seu.
Nesta semana, a lista de espera por órgãos no Paraná relacionava 1.269 pessoas que precisam de rim, 511 de córnea, 200 de medula óssea, 75 de fígado, 40 de coração e um de pulmão. Para cada órgão, há uma fila única, que engloba pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), usuários de planos de saúde ou particulares. Vinte hospitais, públicos e particulares integram o sistema de captação e transplante de órgãos no Estado.
O menor tempo médio de espera para o transplante é o de córneas – entre três e quatro meses – devido ao maior número de doadores. Os maiores são para rim – de seis a oito meses – e medula óssea – até um ano. A principal causa da demora nesses dois casos é a dificuldade de se encontrar doador compatível.
No caso de medula, a probabilidade de se encontrar um doador compatível entre pessoas não aparentadas pode chegar a um em cada 3 milhões de casos. Já entre irmãos, essa possibilidade cai para um em cada quatro casos.
Além de tornar muito difícil a consumação do transplante, a busca internacional de um doador de medula não aparentado eleva em cerca de US$ 30 mil (aproximadamente R$ 55 mil) o custo do processo. Para transplante entre aparentados, o SUS paga R$ 44,4 mil. No caso de não aparentados, esse valor sobe para R$ 57,7 mil.
A situação melhorou, em tese, a partir de outubro do ano passado, quando o Ministério da Saúde editou uma portaria garantindo o pagamento dessas buscas internacionais – até então, o candidato a receptor era obrigado a arcar com esses custos. Na prática, no entanto, a situação mudou pouco. ‘‘O SUS só reembolsa o dinheiro depois da busca feita e os hospitais públicos não têm mais de R$ 50 mil em caixa para fazer o trabalho’’, reclama Giovanni Loddo, diretor clínico do Hospital das Clínicas de Curitiba, referência internacional no transplante de medula. Segundo ele, no Paraná a Secretaria Estadual de Saúde costuma adiantar esse dinheiro.
O custo dos outros transplantes varia muito. O mais caro é o de fígado (pelo qual o SUS paga R$ 51,8 mil). O mais barato é o de córnea: apenas R$ 460,00. O transplante de coração custa R$ 17,4 mil e o de rins tem dois preços: R$ 11,6 mil (com doador vivo) e R$ 14,4 mil (com doador cadáver).
SERVIÇO Central de Transplantes do Paraná - Informações: (0xx41) 232-5740*
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