Dos 399 municípios paranaenses 36% ainda não repassaram os dados sobre infestação do Aedes aegypti, segundo a Sesa
Dos 399 municípios paranaenses 36% ainda não repassaram os dados sobre infestação do Aedes aegypti, segundo a Sesa | Foto: Marvin Recinos/AFP



Em uma semana, o número de casos confirmados da chikungunya passou de 11 para 16 em todo o Estado e as notificações subiram de 381 para 413, segundo o boletim divulgado na terça-feira (27) pela Sesa (Secretaria de Saúde) do Paraná. "Não é um número significativo considerando que temos outros estados com mais ocorrências, mas como ainda temos índices de infestação elevados devido ao período de chuvas e dificuldade de ciclos de visitas domiciliares, existe um risco de aumentar esses números", afirmou Ivana Belmonte, chefe da Vigilância Ambiental da Sesa.

Ela detalha que, do total de confirmados, sete são autóctones e nove importados. "No momento, nenhuma região chama mais atenção. Tivemos um período de notificações em Paranaguá (Litoral), mas que não se confirmou", observou.

O boletim estadual é divulgado semanalmente e o mais recente se refere ao período de agosto de 2017 até 27 de fevereiro de 2018. Nele, Paranaguá registrou 114 notificações, Altônia (Noroeste) confirmou quatro casos importados e aguarda o resultado de mais um exame encaminhado para Curitiba.

De acordo com o setor de epidemiologia de Altônia, que tem pouco mais de 21 mil habitantes, um morador viajou para Cuiabá (Mato Grosso) no mês de janeiro e se hospedou na casa de familiares que haviam contraído a doença. Ao retornar para a cidade, apresentou os sintomas e, dias depois, quatro pessoas de uma mesma família vizinha também ficaram doentes.

Belmonte explica que diante da confirmação de chikungunya não há necessidade de isolar a família, mas realizar um bloqueio de caso. "A equipe de endemias vai realizar uma busca ativa de criadouros em torno da residência e, se houver necessidade, deverá fazer uso do pulverizador costal em um raio de 150 metros para diminuir o índice de infestação de alados", ressaltou.

O secretário de Saúde de Altônia, Gilbert Albano da Silva, disse que a família não teve nenhuma complicação e recebeu atendimento médico para alívio dos sintomas. "Os agentes (de endemias) intensificaram a fiscalização na região e seguiram orientando a população", ressaltou. Altônia fica na beira do Rio Paraná, na divisa com Guaíra e possui um clima quente e úmido.

O tratamento da chikungunya é sintomático, ou seja, a pessoa recebe medicamentos para alívio da dor e da febre. Além disso, deve fazer repouso absoluto e manter-se hidratada. "A doença tem sintomatologia em 70% dos casos, provocando muita dor articular", completou Belmonte.

No Noroeste, além de Altônia, foram confirmados casos autóctones em Mariluz, Loanda, Paranavaí e Santa Isabel do Ivaí. Também há registros em Rio Bom (Vale do Ivaí), Palotina e Foz do Iguaçu (Oeste).

Em relação à infestação do mosquito Aedes aegypti, a Sesa informou que dos 399 municípios paranaenses, 36% ainda não repassaram os dados de janeiro e fevereiro. "Daqueles que temos em mãos, 25% estão com índice igual ou maior que 4%, que indica risco de epidemia e 26% estão com 1% até 3,99%. Com índice satisfatório são 10%", afirmou Belmonte.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná tem 16 casos confirmados de chikungunya



DENGUE
No primeiro Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) realizado em Londrina em 2018, o índice de infestação predial chegou a 12,1%, o segundo maior registrado no município. O percentual colocou Londrina em estado de alerta máximo.

Já em uma projeção estadual, a incidência da dengue é de 4,42 casos por 100.000 habitantes. Até o dia 27 de fevereiro, do total de 14.109 notificações no Estado, 507 casos foram confirmados, sendo 494 autóctones e 13 importados.

Segundo o boletim do Sesa, os municípios com maior número de casos suspeitos notificados são Londrina (2.518), Maringá (1.631) e Foz do Iguaçu (1.249). Já os com maior número de casos confirmados são Maringá (145), Foz do Iguaçu (52) e Cambé (24).

Saúde de Londrina prepara ações de conscientização

Em Londrina, segundo informações da secretaria municipal de Saúde, neste ano de 2018 foram registradas 705 notificações de suspeita de dengue. Deste total, quatro casos foram confirmados, 114 descartados e outros 587 aguardam o resultado de exames laboratoriais.

Além dos trabalhos de rotina realizado diariamente pelo setor de Endemias, abrangendo todas as regiões de Londrina, a secretaria vem reforçando, desde o início do ano as atividades educativas. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da prevenção e os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, bem como o risco de epidemias de doenças.

De acordo com a agente de Endemias Cristina Gomes Torquato, a secretaria elaborou mais uma série de ações educativas que serão realizadas a partir da próxima semana. "Realizaremos diversos trabalhos, como mutirões, palestras, atividades voltadas ao público infantil e outras abertas à comunidade em geral."

VACINAÇÃO
A secretaria se prepara para executar a quarta etapa de vacinação contra a dengue, que será direcionada apenas para as pessoas que precisam fazer a terceira dose da vacina. A campanha será realizada de 20 de março a 28 de abril. Em Londrina, a meta é imunizar 25 mil jovens, com idade entre 15 e 27 anos, público-alvo da vacinação.

A vacina tetravalente contra a dengue, que protege contra quatro subtipos virais da doença, estará disponível em todas as unidades básicas de saúde, nas zonas urbana e rural, de segunda a sexta-feira, das 7 às 19h.

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