Maringá - As chuvas que não dão trégua e o calor típico de verão têm colocado o Paraná em alerta para a possibilidade de uma epidemia de dengue. Só em Maringá (Noroeste) já são 122 casos de contaminação pelo mosquito Aedes aegypti confirmados neste início de ano. Para se ter uma ideia da gravidade da situação no município, basta lembrar que durante todo o ano de 2009 foram registrados 69 casos de dengue.
Ontem foram confirmados 43 novos casos e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o número de notificações chega a 368, com 58 casos descartados e três pacientes com suspeita da doença internados. ''Estamos em alerta e precisamos da comunidade mobilizada contra o mosquito que se prolifera com facilidade nas condições atuais de temperaturas elevadas e chuvas acima da média'', alerta o secretário Antônio Carlos Nardi.
Até o próximo dia 5 os agentes ambientais do município concluem o primeiro ciclo de visitas domiciliares, que já aponta para a necessidade urgente de mobilização dos moradores em praticamente toda a zona urbana. O alerta, de acordo com Nardi, continua o mesmo: eliminar água parada encontrada especialmente em resíduos e lixo acumulado em quintais, pratos de vasos de plantas, tinas e reservatórios sem tampa e pneus ao ar livre. ''A dengue pode estar em descontrole se não eliminarmos por completo todo recipiente que tiver água parada, que são focos em potencial de proliferação do mosquito'', reforçou.
Nardi admite que a possibilidade de uma epidemia é ''permanentemente'' cogitada entre os maringaenses, já que o quadro de infestação pode ser alterado muito rapidamente. O último levantamento de índice de focos, realizado de 4 a 8 de janeiro, apontou um índice geral de infestação de 3,8%, com sete bairros com alto risco de contaminação. ''O índice aceitável pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é de até 1%'', lembra. Nardi garante, porém, que todas as ações possíveis estão sendo desenvolvidas no município, com atuação em conjunto de várias secretarias.
Dos 122 casos confirmados até ontem em Maringá, 115 são de pessoas que contraíram a doença na cidade e sete ''importados'' ou de pessoas que contraíram a dengue em outras localidades. Para o secretário, confirmando o elevado risco de contágio dentro do município.
Índice de 10%
De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, no dia 9 deste mês, das 22 Regionais de Saúde, sete apresentaram casos autóctones, com Maringá liderando a lista, ao lado de Foz do Iguaçu, Londrina e Toledo. ''Com certeza o próximo boletim deve trazer o dobro de casos. As condições climáticas têm levado a uma proliferação altíssima do mosquito, em índices muito maiores que em anos anteriores'', observa o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin. Ele lembra que em alguns municípios de áreas mais quentes o índice médio de infestação tem sido de 10%. ''O índice em Quatro Pontes chega a 17,5%, em Mercedes, a 15,45%, em Astorga, a 10%, em Cambé, a 9,2%'', exemplifica Martin.
O secretário esclarece que o número de casos é tão alto em Maringá - mesmo com índice de infestação menor que em outros municípios - porque a cidade viveu em 2006 uma epidemia da doença, tornando a circulação do vírus muito intensa. Ele admite que o Estado está sob forte risco de uma epidemia de dengue, o que traz de volta as lembranças de 2007, quando o Paraná contabilizou 25 mil casos confirmados.

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