Paraná se despede de Poty Lazzaroto
Paraná se despede de Poty Lazzaroto
Maior artista plástico paranaense foi enterrado ontem à tarde em Curitiba, vítima de câncer no pulmão
Governo estadual
decretou luto
oficial de três
dias no Paraná
Anna Camanducaia
O artista plástico Poty Lazzarotto, de 74 anos, morreu às 3 horas de ontem de câncer. Poty descobriu a doença nos pulmões há oito meses e foi internado no Hospital Santa Cruz, na quarta-feira. Conversei com Poty ontem (quarta-feira) à tarde e ele disse que estava difícil de se recuperar, mas não esperava que isso fosse ocorrer, disse ontem, o único irmão de Poty, João Lazzarotto, durante o velório. Tinha muito orgulho dele. Não tem o que possa reparar esta perda. O corpo foi velado ontem na capela do Cemitério Água Verde. O governo estadual decretou luto oficial de três dias no Paraná.
Familiares, amigos, artistas e autoridades compareceram ao velório de Poty durante a tarde e acompanharam o enterro, que ocorreu por volta das 18 horas. O governador Jaime Lerner e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca anteciparam a volta de Guarapuava para comparecer ao enterro. O Paraná acaba de perder seu maior artista. Poty contou a história da nossa gente, deu expressão ao que é Curitiba e o Paraná, disse Lerner.
Segundo Greca, a identidade de Curitiba e do Paraná foram eternizadas por Poty. A partir de agora, os poentes e as auroras serão mais bonitos porque Poty dará as tintas, disse. O vice-prefeito Algaci Tulio; o secretário estadual da Saúde, Armando Raggio; a secretária estadual da Cultura, Lúcia Camargo; e a presidente da Fundação Cultural, Margarita Sansone, também foram ao enterro.
O prefeito Cassio Taniguchi e sua esposa, Marina Taniguchi, foram apenas ao velório. O talento de Poty sempre será lembrado em nossos painéis e em todas as obras que ele nos deixou, disse Taniguchi.
Os parceiros de trabalho de Poty, Adoaldo Lenzi e Rozério Machado, também lamentavam ontem a perda do amigo. Fazia todos os trabalhos para Poty e também o ajudava nos assuntos particulares. Ele tinha idade para ser meu pai, mas acabei o assumindo como filho, disse Rozério. Adoaldo Lenzi era amigo de Poty há 20 anos. Ele era um amigo muito compreensivo e um artista de grande qualidade. Não temos outra expressão para substituí-lo, disse.
Outro parceiro, nem tanto conhecido, fez questão de comparecer ao velório. O pedreiro Natal Gualdezi trabalhava há 11 anos com Poty e era muito próximo a ele. Eu tinha liberdade para brincar com ele. Tenho muito orgulho de ter sido especial para o Poty e de fazê-lo rir.
Adoaldo Lenzi Júnior, indicado por Poty como seu substituto, estava abalado com a morte do mestre. Ele foi o meu ídolo. Todo mundo tem um ídolo e nunca consegue chegar perto dele. Eu estava quase 24 horas com o meu, disse. Júnior dormia nos finais de semana na casa de Poty para fazer companhia a ele. Agora só me resta honrar o que ele queria e estudar para que aos 74 anos eu possa ter pelo menos a metade da carga artística que ele tinha.





