Paraná rural não tem acesso a celular
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sábado, 09 de outubro de 2010
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
''O telefone chamado está desligado ou fora da área de cobertura''. É essa a mensagem ouvida por quem liga para algum número de telefone celular da grande maioria dos mais de 1,6 milhão de paranaenses que vivem na zona rural. Assim como no restante do País, as operadoras do serviço móvel pessoal (SMP) não têm obrigação legal de abranger essa população, realidade que só deve começar a mudar a partir de 2011. Mas no Paraná ainda existe até cidade que não dispõe de sinal de telefonia celular.
Em julho de 2008, a FOLHA mostrou que 152 (38%) municípios paranaenses ainda não haviam entrado na era da telefonia celular. A universalização do acesso a pelo menos 80% da população urbana de todos os 399 municípios deveria se dar até 30 de abril de 2010. A situação melhorou, mas a telefonia móvel ainda não chegou a todos os municípios do Paraná. Isso porque três delas - Antônio Olinto, Paula Freitas e Paulo Frontin - ficaram de fora do leilão realizado em 2007 e só recentemente entraram nos planos de expansão. Ainda que precário, os dois primeiros municípios contam com sinal. Já Paulo Frontin é o único município do Paraná cuja zona urbana não tem acesso aos serviços de telefonia móvel.
Com relação à população rural, o telefone celular é um aparelho presente, o que não quer dizer que ele possa ser usado a qualquer momento. Atualmente, somente algumas poucas localidades contam com sinal e, mesmo assim, de tal maneira que não dá nem para afirmar que existe cobertura.
Em Londrina, os moradores dos vários distritos rurais têm acesso à tecnologia de comunicação mas ficam reféns de uma única operadora. Sem contar que o sinal não alcança os fundos de vales e outros pontos mais baixos.
No Norte Velho, em Ibaiti, os mais de 2,5 mil moradores da Vila Guay, distante cerca de 20 km da cidade, descobriram que o celular funciona, às vezes, em frente à igreja. O vendedor Fernando Ferreira, 22, descobriu que no telhado de casa também consegue fazer e receber ligações. Uma terceira opção é subir na pedra que fica na calçada da sua vizinha de frente. ''Se a gente quiser usar o celular tem que ser assim'', reclama. No distrito do Campinho, também em Ibaiti, os quase três mil moradores passam pela mesma situação.
Em Ventania, ainda no Norte Velho, o celular ''pega bem'' na área urbana. Já na zona rural, a vida segue difícil. Na sexagenária localidade de Novo Barro Preto, a população apelou até para o bom humor e colocou uma placa na entrada do bairro criticando as operadoras pelo desinteresse com a comunidade. Vizinho do ''outdoor'', o ex-sindicalista no ABC paulista nos anos 80 e 90 e comerciante Marcelino Xavier, 45, nem tira o aparelho da caixa. ''Não serve para nada mesmo'', fala.
O funcionário público Reinaldo Roberto Ribas, 39, afirma que a prefeitura se mobilizou para tentar colocar uma torre no bairro mas não teve jeito. ''Aqui precisava muito porque tem duas indústrias grandes. Só numa delas tem 800 funcionários.'' Quem tem dado uma forcinha é Nossa Senhora da Aparecida, a santa protetora do bairro. Em baixo da torre da igreja é o único lugar de onde é possível fazer ligação pelo celular. Uns acham que é coincidência, alguns dizem que é por estar no alto do bairro, mas muitos garantem que é mesmo pela intervenção divina.


