De janeiro a setembro deste ano foram registrados 367 casos de estupro no Paraná. São três ocorrências a cada dois dias, numa média de 40 casos por mês. Os dados, no entanto, ainda não são exatos. A estimativa é a de que 60% das mulheres não procuram auxílio da polícia. Os dados são da Polícia Militar – que faz o primeiro atendimento da ocorrência, antes mesmo da abertura de qualquer tipo de procedimento investigativo pela Polícia Civil. Foram 141 casos em em Curitiba e região metropolitana e 226 no interior do Estado.
Levantamento feito pela Polícia Civil demonstra que somente em Curitiba, nesse mesmo período, foram 94 estupros. O índice corresponde a abertura de inquéritos policiais envolvendo uma média dez mulheres vítimas de estupro por mês.
Muitas ocorrências não chegam ao conhecimento da polícia. ‘‘Geralmente os casos que deixam de ser delatados, são aqueles que envolvem pessoas conhecidas, como vizinhos, namorados ou parentes’’, explicou o psiquiatra Salmo Zugman, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Muitas vezes, as mulheres deixam de relatar as ocorrências por vergonha ou medo de rejeição perante à sociedade. ‘‘Quem é estuprado teme danos à sua imagem, teme tornar as coisas ainda piores. Teme cair na vergonha pública. Por esta razão, apenas vemos nos noticiários os estupros que envolvem maníacos. Mas a maioria acontece com pessoas já conhecidas’’, contou o psiquiatra.
As consequências psicólogicas deste tipo de agressão podem trazer transtornos para toda a vida. Uma das mais comuns é o estresse pós-traumático. Os reflexos podem ser pesadelos constantes, lembranças rotineiras, sobressaltos, prejuízos nos relacionamentos e depressão. ‘‘Para superar, a pessoa tem que saber primeiramente que ela não é a responsável pelo estupro ter ocorrido, ela foi a vítima’’, salientou.
O coronel Darci Dalmas, comandante do Policiamento da Capital, disse que este tipo de agressão é cometido principalmente contra pessoas do sexo feminino e entre a faixa etária dos 13 e 25 anos. De acordo com ele, não existe um trabalho preventivo que as pessoas possam fazer para evitar este tipo de crime, mas alguns cuidados podem ser fundamentais. Entre eles, evitar a aproximação com pessoas estranhas, os locais ermos e escuros. Para evitar os estupros de crianças, que também ocorrem com regularidade, ele alertou para que os pais tenham atenção redobrada com os filhos.

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