Paraná recebe mais R$ 18 milhões para aplicar em saúde
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Anna Camanducaia 
O Ministério da Saúde começa a repassar, ainda neste mês, recursos adicionais de R$ 323 milhões para os Estados brasileiros. Trata-se da elevação dos tetos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS). O Paraná vai receber 5% a mais, ou seja, R$ 18.842.772, para o pagamento dos serviços de média e alta complexidade ambulatorial e de internações hospitalares. O teto anterior no Estado era de R$ 376.855.441 anuais.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, 25% deste valor deve ser destinado a Curitiba, que está dentro da gestão plena (repasse do governo federal direto para o município), e o restante para outras cidades. Os recursos serão distribuídos da periferia para o centro. O sistema se torna mais competente quanto mais federado ele é.
Raggio disse que o valor a mais desaperta, mas não dá folga. A exemplo de São Paulo, o Paraná também quer fazer um convênio com o governo federal para complementar a estrutura de urgência e emergência. O valor esperado por Raggio é de R$ 6 milhões.
Hoje, o SUS continua gerando os antigos problemas: falta de vagas para internamento, filas para consultas e prejuízo para os credenciados. O secretário disse que o SUS funciona, mas tem o defeito de ser um sistema que manda as pessoas para frente, em vez de reter a demanda na origem. Segundo ele, o costume que se tem hoje é de chegar em qualquer porta e ser atendido por qualquer coisa.
Esta também é a reclamação dos hospitais, que sempre estão lotados. O diretor geral do Hospital de Clínicas (HC), Mitsuro Miyaki, disse que um dos complicadores do atendimento é a grande procura pela população da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e de cidades vizinhas. Entre os internados, 35% são da RMC, 13% de cidades vizinhas, 6,78% de outros Estados e 0,03% de outros países. Os curitibanos não chegam nem à metade dos internados no HC. O hospital examina mensalmente 54 mil pessoas e interna 1.800.
Segundo Miyaki, deveria haver uma política de regionalização e hierarquização do atendimento. A população de um bairro, por exemplo, teria de ser atendida pelo posto da região e só poderia ir ao hospital depois de receber diagnóstico. Sem essa política, hoje o paciente escolhe onde vai ser atendido. Resultado: aumenta a demanda de baixo risco nos hospitais, como foi a epidemia de gripe no mês passado.
O Hospital Pequeno Príncipe também sofre com a sobrecarga. Além de ter absorvido pacientes de hospitais pediátricos que fecharam, recebe pessoas com problemas que poderiam ser resolvidos nos postos de saúde.
O diretor clínico do hospital, Donizetti Giamberardino, disse que tudo que o posto de saúde julga mais perigoso, passa para a frente. Além disso, muitas vezes, a população tem dificuldade de acesso às unidades básicas por falta de médicos, e não consegue atendimento nos postos 24 horas porque eles estão lotados. Por isso, os doentes seguem para os hospitais.
O secretário municipal da Saúde, João Carlos Baracho, disse que, no total, faltavam 60 médicos nos postos. Segundo ele, a Prefeitura já contratou 40. Nas unidades que não tiveram reposição, o plantão foi reforçado.O Ministério da Saúde aumentou o teto financeiro dos Estados,
o que desaperta mas não dá folga, segundo secretário
Arquivo FolhaSofrimentoApesar do aumento de recursos, o SUS não conseguiu acabar com as filas para consultasHospitais recebem
pessoas com problemas
que poderiam ser
resolvidos nos postos
Diretor do HC defende
política de regionalização
e hierarquização do
atendimento nos hospitais


