Paraná quer evitar instalação de hidrelétricas
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
Caroline Vicentini e Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Ambientalistas estão unindo forças e argumentos para barrar os projetos de instalação de usinas hidrelétricas (UHs) no Paraná, principalmente no rio Tibagi. Ontem, um debate promovido pela Folha de Londrina, no auditório do Sindicato Rural, colocou em pauta este tema e discutiu os aspectos positivos e negativos dos novos empreendimentos.
O evento contou com a presença do secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, dos professores do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Marcelo Domingues Torezan e Sirlei Bennemann, do doutor em Ciências Ambientais, Valmir da França, do presidente do Consórcio do Rio Tibagi (Copati), Reinaldo Ribeirete, do prefeito de Ortigueira, Geraldo Magela do Nascimento, do secretário municipal de Indústria e Comércio de Mauá da Serra, Hélio Custódio e do deputado estadual Barbosa Neto (PDT).
Segundo Cheida, das 17 hidrelétricas propostas anteriormente pelo Governo Federal, apenas três continuam sendo estudadas pelo governo do Paraná. São elas: a de Mauá da Serra, no Rio Tibagi, prevista para ser construída entre os municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba; Usina Salto Grande, no Rio Chopim, em Laranjeiras do Sul; e Usina Baixo Iguaçu. ''O governo até acredita que essas três barragens sejam possíveis, mas ainda é preciso fazer uma revisão dos projetos'', ponderou o secretário. Das três unidades, a de Mauá é a que vem provocando maiores discussões.
O secretário, contrário à instalação da UH, afirmou que a decisão final caberá ao governador Roberto Requião, que só se posicionará quando novos estudos de impacto ambiental forem apresentados, além de exigir a realização de outras audiências públicas.
A instalação das usinas, de acordo com Cheida, também dependerá do estudo de zoneamento ecológico econômico do Estado, que deverá apontar as fragilidades e potencialidades dos rios e bacias hidrográficas para a construção de barragens, da conclusão do Plano Estadual de Recursos Hídricos e da implementação das agências das bacias, cujos membros definirão qual é a forma mais consciente do uso da água.
Para os ambientalistas, totalmente contrários à instalação da UH de Mauá da Serra, a região de Ortigueira é a pior área para se construir um empreendimento desses, por conta da biodiversidade dessa área. ''Além dos danos à flora e fauna local, a qualidade da água também cairá, podendo se tornar até imprópria para consumo'', alertou Torezan.
A professora Sirlei ainda acrescentou que recentes pesquisas apontaram a existência de quatro novas espécies de peixe ainda não catalogadas no rio Tibagi. ''A existência de uma única espécie já justifica a não alteração do meio ambiente, e, logicamente, a não instalação de uma UH'', reforçou ela. Além disso, a usina ameaçaria a reprodução de outras espécies de peixes como cascudos, pintados e dourados.
Em contrapartida, o prefeito de Ortigueira defendeu a instalação da UH na região. ''Mais de 70% da população espera pela usina, já que durante o período de construção - em média quatro anos - serão gerados 2,5 mil empregos diretos, empregando provavelmente moradores da cidade'', defendeu. Ortigueira tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado e, conforme Nascimento, a empresa que construísse a barragem poderia se comprometer com projetos sociais e educacionais no Município.
As questão abordadas no debate serão aprofundadas e apresentadas em matérias especiais, a serem publicadas na próxima semana.


