Paraná produz 20 mil toneladas de lixo por dia
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O gerenciamento dos recursos hídricos e sólidos no Paraná foi o tema de um fórum realizado ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O encontro fez parte da Semana de Meio Ambiente da cidade e contou com a participação de representantes de diversos órgãos e entidades, como Sanepar, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Copel e Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa).
A primeira palestra foi proferida pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Ele citou que o Paraná produz diariamente cerca de 20 mil toneladas de lixo. Desse total, 60% são oriundos da construção civil e 4 mil toneladas são lixo industrial. O índice de reaproveitamento deste material é considerado baixo por especialistas.
Além disso, segundo o secretário, o Paraná tem 180 reservatórios de lixo a céu aberto, os chamados lixões, que são pontos críticos de disseminação de doenças, e é o segundo estado brasileiro que mais compra agrotóxicos. Muitos agricultores paranaenses adquirem defensivos contrabandeados - sem especificidades técnicas que relevem a questão do meio ambiente e que ainda são aplicados sem o devido cuidado.
''Não parece ser mera coincidência que o Paraná é o estado brasileiro que tem mais casos de câncer de fígado e de pâncreas'', apontou Cheida. O secretário apresentou outro dado alarmante: o governo estadual desconhece que destinação é dada a 36% do lixo industrial. Segundo Cheida, os problemas estão sendo discutidos em diversas esferas nas secretarias de estado.
O projeto de incentivo à entrega de embalagens de agrotóxicos coletou 1,2 milhões de toneladas de embalagens nos últimos quatro meses. ''Hoje, 63% das embalagens de agrotóxicos do Paraná são recolhidas'', disse Cheida. O governo estadual está desenvolvendo o programa Desperdício Zero, que tem como objetivo mobilizar a população para que a produção de lixo no estado diminua 30%. Parcerias estão sendo feitas com o empresariado e entidades públicas.
Na questão dos lixões, Cheida afirmou que a intenção é que todos estejam erradicados até o final de 2006. O governo estadual também planeja instalar quatro centrais de moagem de entulho (em Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel e Maringá) para a destinação de lixo da construção civil. ''Londrina não foi incluída porque temos esperança de que a central de moagem da cidade seja reativada'', comentou Cheida.
A presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Rosimeiri Suzuki Lima, proferiu palestra sobre coleta seletiva. Em Londrina, 22% do total do lixo recolhido é reciclado. ''Isso aumentou a vida útil do aterro sanitário, que devido à reciclagem deixa de receber 95 toneladas de lixo por dia'', disse Suzuki. A prefeitura estuda a instalação de um segundo aterro, cuja área ainda não foi definida.
Sobre os recursos hídricos, um acordo recente definiu que a CMTU passará a gerenciar o serviço de água e esgoto, que continuará a ser prestado pela Sanepar.


