Paraná precisa melhorar medidas de prevenção
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná não está imune a desastres naturais como o que devastou o litoral norte catarinense na última semana. De acordo com especialistas, os processos perigosos, como chuva intensa e de longa duração, deslizamentos de terra e inundações de rios acontecem no Estado e podem ter conseqüências graves, mesmo em áreas com menor grau de desmatamento.
Para o geólogo e diretor do Centro de Apoio Científico em Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Eugênio Lima, os resultados das catástrofes naturais podem ser mais sérios se a população não estiver protegida. "É muito importante a preparação do governo, das prefeituras e de grupos específicos para atuar em situações de desastres", avalia.
Mesmo a conservação das matas nativas pode reduzir a frequência dos incidentes, mas não impede que eles ocorram. Segundo Lima, o Paraná tem boas medidas de prevenção e controle, mas precisa melhorar em alguns aspectos. "Temos que avançar no mapeamento de riscos, tanto para avaliar a suscetibilidade de áreas como os prejuízos possíveis. É preciso preparar grupos de gestão para grandes desastres. E, muito importante, ter controle sobre o uso do solo", aponta.
Sobre o último item, ele afirma existir uma ocupação desenfreada na Região Metropolitana de Curitiba, bem como nas periferias das grandes cidades do Estado. O geólogo especialista em gestão de recursos hídricos da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) da Secretaria do Estado do Meio Ambiente, Everton Luiz da Costa Souza, explica que existem situações como essa no eixo da BR-277 e nas proximidades de Matinhos, no Litoral.
"No nosso Estado, a ocupação dos morros é relativamente pequena. Acredito que isso vem sendo coibido pelo governo e pelas prefeituras. Esse não é um panorama que nos preocupa, mas o uso inadequado do solo deve ser fortemente combatido", afirma. Ele defende que o planejamento para uso adequado do solo deva ser contemplado no plano de recursos hídricos e plano diretor dos municípios.
Segundo o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, da Defesa Civil do Paraná, a geografia paranaense é bem diferente da do estado vizinho, com uma bacia hidrográfica pouco predominante no Litoral. "A exceção é a cidade de Morretes que, cortada por três rios, é suscetível a inundações de maré alta", explica. A cidade é uma das mais afetadas por enchentes.
Mas, para Pinheiro, "apesar de o Estado não ter uma vocação natural forte para desastres, tudo depende do comportamento das pessoas e das políticas de ocupação do solo". Ele defende o investimento na Defesa Civil, tanto estadual como municipais, e o trabalho de prevenção.
De acordo com Lima, mesmo Curitiba não está livre de uma catástrofe. Ele relembra uma grande enchente em 1983, quando parte da cidade ficou isolada pela alta do Rio Iguaçu.
Mais recentemente, muitos podem se lembrar das enchentes de fevereiro de 1999 na Capital, quando, em apenas duas horas, choveu o equivalente à média pluviométrica de todo o mês. Na ocasião, 13 bairros foram fortemente atingidos deixando grandes prejuízos materiais quando a água dos córregos subiu além do leito e alagou ruas e avenidas.
"O cidadão não pode ficar esperando. Podemos dizer que esses grandes desastres naturais vão acontecer, mas é impossível prever quando. Felizmente, o período entre eles é grande", conclui Lima.


