Paraná perdeu 90% da área florestal
Maigue Gueths
De Curitiba
Os ipês e azaléas colorindo as cidades com suas flores, e a movimentação dos alunos de escolas de todo o Estado, plantando milhares de mudas de plantas nas vias públicas, beiras de rio e matas deixam a falsa impressão de que o dia da árvore, neste 21 de setembro, pode ser comemorado com festa. Mas quem entende de natureza e conhece a história do desmatamento no Paraná sabe que há pouco espaço para otimismo. Em cem anos, nossas florestas, reduziram-se à décima parte do que tínhamos no início do século, e até o pinheiro símbolo do Paraná, a Araucária, corre, hoje, sério risco de extinção, restando apenas 1% das espécies no Estado.
A coordenadora do Fórum Pró-Conservação da Natureza do Paraná, Teresa Urban, vê o problema com preocupação. Antes, 85% do estado, o correspondente a 167.824 quilômetros quadrados, eram florestas, sendo 73.780 quilômetros quadrados só de mata de Araucária. Os restantes 15% eram campos e várzeas. Com o desmatamento, hoje restam 15.030 quilômetros quadrados de florestas, ocupando apenas 8,5% do território do Estado. A situação é ainda mais preocupante, segundo a ambientalista, que acredita que as únicas áreas que têm chances de sobreviver são o Parque Iguaçu e a floresta do litoral, que estão concentradas em áreas protegidas. As outras áreas de preservação, como os 54 parques e reservas estaduais correspondem a pouco mais de 1% da área total do Estado, e o restante das florestas nativas é constituído por reservas particulares, em áreas pequenas e já alteradas pela retirada das melhores madeiras.
O Paraná está omitindo a realidade. Ele não tem sequer um levantamento sério da cobertura florestal, e assim não tem base confiável para fazer um planejamento para reflorestamento e preservação, diz Teresa. Por este motivo, e também pela falta de fiscalização ao corte de madeira, os ambientalistas não acreditam na eficácia de programas governamentais que prevêem o plantio de mudas. É o caso do projeto Plantando Palmito, que prevê o plantio de 10 milhões de mudas por ano nos municípios litorâneos.
Para Teresa, o Estado tem que atuar rapidamente para preservar o que restou. Ela cita a Araucária, que hoje está no livro vermelho das espécies em extinção. Só sobrou, hoje, 1% das araucárias. De 73 mil quilômetros quadrados elas foram reduzidas a 7 mil quilômetros quadrados. Se elas não estiverem inseridas em áreas preservadas, com estrutura para se reproduzir, estão fadadas a sumir, diz. Teresa lembra, ainda, que a eliminação das florestas significa a extinção de todo um ecosistema, que fica desequilibrado sem a relação entre as suas espécies naturais.





