Paraná perde território para São Paulo
Da Sucursal
Albari RosaNavegadorO desembargador Lenz Cézar, que costuma passear de barco na região próxima à divisa do Paraná com São Paulo: braço de terra já chega a 12 quilômetrosUm processo de assoreamento do Rio Ararapira, na região da divisa com São Paulo, já levou o Paraná a perder uma faixa de 12 quilômetros de litoral para o estado vizinho.
O alerta é do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Henrique Lenz César, um navegador amador que há anos frequenta a região de Guaraqueçaba observando o fenômeno.
De acordo com o desembargador, o movimento das águas na região está provocando a retirada de areia de Barra de Ararapira, comunidade de Guaraqueçaba onde vivem 35 famílias, e deslocando cada vez mais a divisa com São Paulo.
Lenz César lembra que a divisa entre os dois estados nessa região ainda não está demarcada, por conta de um litígio, mas o Paraná perderá uma boa extensão de faixa litorânea quando os limites forem oficializados.
O processo, que só poderia ser contido com diques que demandariam gastos exagerados, é considerado irreversível. Para o presidente do Tribunal de Justiça, a solução seria adotar como divisa a carta náutica, que desprezaria o avanço do território paulista sobre o paranaense e consideraria como limite o traçado original.
Isso dependeria de uma negociação política, afirma. Hoje, boa parte da Ilha de Superagui já é uma área fluvial, com a perda da faixa de praia, diz o desembargador.
O pescador Rubens Jorge Muniz, de 50 anos, que nasceu e passou toda a vida em Barra do Ararapira, conta que o processo já provocou muitas mudanças na vida das cerca de 160 pessoas que moram na comunidade.
Desde a minha infância, já mudamos nossa casa de lugar pelo menos umas sete vezes, por causa do avanço da água sobre a barra, afirma.
Muniz explica que o fenômeno está provocando um avanço progressivo do território da Ilha do Cardoso, paulista, sobre o litoral paranaense na altura de Superagui.
O pescador, que preside a Associação Santanna de Moradores de Barra do Ararapira, calcula que o cabo que se formou a partir do assoreamento já tem uma extensão de 18 quilômetros. Para dentro da ilha, esse avanço já levou um quilômetro de terra, com matas e madeira junto, afirma.
Muniz conta que está escrevendo um livro sobre a região, onde relata o fenômeno. É uma coisa da natureza, que a gente só pode observar, sem fazer nada, afirma.





