Paraná lidera renda agrícola na região Sul
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná ocupa a liderança na renda agrícola da região Sul na atual safra 2007/08 e é o segundo Estado com maior renda agrícola do País, só perdendo para São Paulo, em função da extensão do plantio de cana-de-açúcar e da laranja naquele Estado. Os dados são da Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com base nos levantamentos de safra agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expectativa é que, no Paraná, a renda neste ano atinja R$ 21,84 bilhões, quase R$ 4 bilhões a mais que no ano passado, quando foi de R$ 17,9 bilhões. O aumento de renda está sendo impulsionado pela elevação da produção de grãos, onde o Paraná se destaca como principal produtor do País, e do aumento nos preços da soja, milho, trigo, café, mandioca, cana-de-açúcar e, principalmente, do feijão.
A economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Bozza, explica que a renda agrícola representa o faturamento bruto dos produtores rurais. Segundo ela, os resultados positivos do Estado podem ser explicados devido as safras recordes.
Ela lembrou que a safra de 2007 teve uma pequena recuperação e os preços dos produtos estão em níveis bons. ''Isso não quer dizer que o produtor está com sobra (de caixa). Só conseguiu resolver em parte o seu problema ao pagar as dívidas'', disse. Segundo Gilda, o que vai sobrar de renda líquida para os produtores é muito pouco.
''O produtor rural está apenas respirando, mal saiu de uma crise com estiagem e problema cambial e esta enfrentando aumento de custo de produção. Isso pressiona o resultado da atividade'', disse. Segundo ela, os insumos que mais subiram foram fertilizantes, combustívies e fretes.
A economista destacou ainda que o produtor está agindo mais como empresário rural, tem sua planilha de custos e faz estratégia de comercialização, com isso, acaba ganhando na economia de escala.
No Brasil, a renda agrícola deve atingir R$ 155,7 bilhões, um acréscimo de 17,11% sobre a renda do ano passado, que foi de R$ 132,6 bilhões, com o desconto da inflação.
A pesquisa leva em consideração as 20 lavouras mais expressivas do País como algodão, amendoim, arroz, banana, batata-inglesa, cacau, café, cana-de-açúcar, cebola, feijão, fumo, laranja, mamona, mandioca, milho, pimenta-do-reino, soja, tomate, trigo e uva.
Para o coordenador de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques, a renda agrícola do Paraná seria maior ainda neste ano se não fosse as perdas no milho safrinha provocadas pelas geadas ocorridas no mês de junho. Gasques avalia que neste ano os estados que concentram a produção de grãos estão em situação melhor que em anos anteriores.
Ele citou como exemplo a região Sul onde a renda agrícola dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul passa de R$ 39,8 bilhões em 2007 para uma projeção de R$ 43,38 bilhões em 2008, uma expansão de 13,22%.
Segundo Gasques, esse bom comportamento da renda na região Sul deve-se aos resultados da safra agrícola do Paraná, já que o estado do Rio Grande Sul teve queda de renda que passou de R$ 16,45 bilhões em 2007, para R$ 15,76 bilhões este ano.


