Os municípios paranaenses estão entre os mais bem colocados num triste ranking divulgado ontem: o do número de adolescentes vítimas de homicídios. Foz do Iguaçu (Oeste) é a líder da lista, que inclui 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, elaborada em parceria Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Observatório das Favelas. O estudo projeta que entre os anos de 2006 a 2012 cerca de 33 mil adolescentes não chegarão aos 19 anos de idade, pois terão sido vítimas de mortes violentas.
A faixa etária do estudo compreendeu adolescentes com idades entre 12 a 19 anos. A partir de um cálculo que levou em conta mortes ocorridas em grupo de mil jovens, foi estabelecido o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência).
O índice iguaçuense é de 9,7 mortes para cada grupo de mil jovens. O indicador da cidade faz fronteira com Argentina e Paraguai é três vezes e meio superior à média nacional, de 2,03. Outras cidades do estado também estão ''bem colocadas'' na pesquisa: Pinhais está na 14 colocação, seguida por Toledo (27) e São José dos Pinhais (28). A capital paranaense também aparece no ranking. Com 3,03 mortes para cada grupo de mil adolescentes, Curitiba está em 59º lugar. Londrina fica logo atrás, com uma taxa de 3,01 homicídios na 60 colocação.
As cidades paranaenses detêm índices ainda mais preocupantes se os dados forem comparados com os dos outros estados do Sul. Todas as regiões que se destacam por conta dos altos índices e violência contra adolescentes ficam em território paranaense: Região Metropoliatana de Curitiba, Norte, Central e Oeste, já próximo à fronteira. Levando em conta os cem primeiros municípios da pesquisa, 17 ficam no Paraná, três no Rio Grande do Sul e apenas um em Santa Catarina.
O município gaúcho ''mais violento'' é São Leopoldo, que aparece na 66 posição, com um índice de 2,91 mortes - melhor do que dez cidades do Paraná. Já entre os catarinenses, o indicador mais alto é o de São José, que com índice de 2,45 mortes para cada grupo de mil adolescentes está na 89 posição.
Entre as capitais, o Paraná também está em pior situação. Em 59º lugar, Curitiba está bem acima de Florianópolis, 122 colocada com índice de 1,76 mortes, e Porto Alegre, na 132 posição, com 1,66 homicídios de jovens.
O levantamento apontou ainda que a probabilidade de um adolescente do sexo masculino ser vítima de homicídio é 12 vezes superior em relação ao sexo feminino. No caso da cor, a taxa de negros vítimas de homicídio é três vezes superior aos de brancos.
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Foz do Iguaçu, Washington Luiz Teixeira, o resultado da pesquisa é consequência de um ''encontro de situações de ordem econômica e social e por ser uma cidade de fronteira.'' A saída, aponta, está em investimento governamental. ''Não só na área educacional, mas também na criação de opções de lazer, esporte e cultura para os jovens'', opina.
De acordo com dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública, o número de homicídios de adolescentes (entre 12 e 18 anos) caiu 36,7% em Foz, entre 2006 e 2009. Ao mesmo tempo, a polícia paranaense, segundo matéria divulgada pela Agência Estadual de Notícias, reduziu pela metade a média de assassinatos na cidade, que, em 2005, era de um por dia e, em 2009, é de um a cada dois dias. ''O estudo divulgado pelo Governo Federal é uma grande estimativa baseada em dados de 2006. O importante é que nós implementamos políticas públicas na área da segurança e revertemos esta tendência'', afirmou o secretário Luiz Fernando Delazari.(Com Folhapress)

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