De todo o esgoto produzido no Estado, 79% acabam indo direto para os rios e mananciais sem receber nenhuma espécie de tratamento. De acordo com a gerente ambiental do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), órgão vinculado à Copel, Sandra Mara Alberti, esse índice engloba o que é coletado pelas empresas de saneamento de água, como a Sanepar, e também ligações clandestinas. No entanto, a assessoria de imprensa da Sanepar informou que o percentual de esgoto não tratado é menor, ficando em 60,5%. Ontem, Sandra falou do assunto em um seminário sobre águas, promovido por diversas instituições sobre engenharia.
Sandra, que coordena pesquisas sobre a qualidade da água, entende que a contaminação pelo esgoto doméstico é grave. Ela afirmou que esse problema aumenta com a contaminação industrial e clandestina. Por causa da poluição dos rios, a cidade de Curitiba, por exemplo, pode ter problemas no abastecimento dentro de 30 anos. No campo, o problema é o uso indiscriminado de fertilizantes e pesticidas, que estariam atingindo as reservas de água subterrânea e rios.
‘‘A implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto é cara, mas quando não se faz, aumenta-se também o custo para produzir água para consumo’’, disse. A química do Lactec disse que quando um rio ‘‘morre’’, em função da poluição, a captação da água precisa ser feita cada vez mais longe ou próxima de suas fontes. Outro fator é o aumento dos custos no tratamento de água para consumo. Nos últimos quatro anos, a Sanepar vem desembolsando três vezes mais com produtos químicos usados na limpeza da água.
De acordo com Sandra Alberti, alguns rios do Estado já não podem ser mais usados, em função da poluição. ‘‘Londrina tem problema no Cambezinho e Curitiba precisa despoluir a Bacia do Alto Iguaçu’’, exemplificou. A própria Sanepar tem planos para construir um canal que ‘‘desligue’’ o Rio Palmital, fazendo com que as águas dele não entrem no reservatório de capatação do Iraí, que abastece a Capital.
Para a química do Lactec, o governo vem se esforçando para conter esse processo. ‘‘Programas de saneamento pretendem melhorar o processo de coleta e tratamento’’, afirmou. A assessoria de imprensa da Sanepar informou que, até 2003, o esgoto captado e tratado deve alcançar o índice de 80%, em todo o Paraná.
De acordo com a Sanepar, na Capital, 61% do esgoto é coletado, sendo que deste montante 81% é tratado. Nas cidades vizinhas da Capital, a coleta atinge 53% das casas, mas apenas 80% do que elas produzem é tratado. Em Londrina e Maringá, todo o esgoto coletado pode ser despejado sem causar danos. Segundo a Sanepar, 68,69% das casas londrinenses têm esgoto tratado e coletado. Já em Maringá, 61,2% das residências não prejudicam o meio ambiente, em função do seus dejetos serem processados.

mockup