Paraná implanta novo conceito de Saúde
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Da Redação 
Durante muito tempo confundiu-se medicina com saúde. A diferença é sutil, mas existe e é muito importante. Na verdade, enquanto saúde significa preservar a vida, medicina é a arte e ciência de curar ou atenuar doenças. E doença é, exatamente, falta de saúde. A confusão nunca foi desfeita e a consequência foi que as políticas de saúde elaboradas sobre essa base em todo o mundo sempre deram ênfase à cura - ou tentativa de cura - e pouca ou nenhuma atenção à preservação da saúde. Só em 1996, no Canadá, num encontro mundial de medicina, foi estabelecido o verdadeiro significado de Saúde, definido como um estado amplo de felicidade e bem-estar físico e mental.
Após essa definição, a comunidade médica e paramédica começou a traçar novas e verdadeiras políticas de saúde em todas as partes do mundo. Mas, como não se tinha preservado devidamente a qualidade de vida como condição para a saúde física e mental, agora é preciso tratar tanto da doença quanto da saúde. No Brasil e no Paraná não é diferente.
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) está desenvolvendo diversas ações e programas conforme o novo conceito internacional, enfrentando - como em todos os países emergentes do Terceiro Mundo - a necessidade de tratar os doentes em escala que se pode medir por multidões e de introduzir uma filosofia que conduza todo o setor público a trabalhar para promover a verdadeira Saúde.
Hoje, os vários programas em andamento no Paraná têm como fio condutor a idéia do Município Saudável. Trata-se de uma unidade territorial de saúde que, além de regionalizar o atendimento e equipar hospitais e postos, está empenhada em mudar o conceito de saúde e promover a busca da qualidade de vida, em todos os itens que assegurem a salubridade das pessoas e da comunidade. Isto quer dizer que segurança, trânsito, educação, salário, emprego etc. estão intimamente relacionados com a saúde e é preciso que o poder público elabore políticas de conjunto e não apenas setoriais, a fim de promover a saúde da população.
A Sesa entende salubridade em seu sentido mais abrangente. É o retorno da auto-estima do cidadão e, com isso, a estima do cidadão pela cidade em que vive. Isto não se consegue em cinco ou dez anos, mas é preciso dar o primeiro passo, pois a auto-estima é a mola propulsora da saúde física e mental.
A partir desse conceito foi traçada uma linha de ação que será revista e ampliada na III Conferência Estadual de Saúde, que se realizará em Curitiba nos dias 14, 15 e 16 de novembro, quando representantes de todo o Estado discutirão o tema Saúde, o equilíbrio entre a preservação e o tratamento de doenças.
O encontro é precedido pelas Conferências municipais, que se realizaram em todo o Estado até o prazo máximo legal de 10 de outubro. Em Londrina, as reuniões aconteceram no começo do mês, quando médicos e profissionais de saúde voltaram a debater sobre a nova abordagem da saúde, que começa no atendimento em postos e hospitais, passa pela farmácia básica e programas específicos de prevenção e vai até questões como lazer, qualidade de vida, transporte, trânsito, salário, moradia, educação, alimentação etc.
Para o superintendente da Autarquia Municipal de Saúde de Londrina, Agasham Bredossiam, é importante repensar a vida como um todo e investir na idéia de prevenção. Um aspecto que ele considera essencial é mudar o foco da prestação do serviço em posto ou hospital - que são locais de doença, dor e sofrimento -, para o da preservação da saúde e da qualidade de vida. O posto e o hospital são importantes, mas ainda mais importante é o que nos impede de ficar doentes, isto é, tudo aquilo que nos dá felicidade, ele diz.
A Conferência de Curitiba será aberta por uma palestra do ex-ministro Jamil Haddad sobre A questão Saúde no Processo de Globalização da Economia. Maria da Graça Lima, da comissão organizadora da conferência, explica que nos três dias do encontro serão discutidos assuntos como a sáude da família, dificuldades e avanços do SUS, qualidade ambiental como requisito de prevenção, o Plano Estadual de Saúde e a gestão participativa nos hospitais.
Também serão escolhidos os novos membros do Conselho Estadual de Saúde do Paraná. Participarão mil delegados, dos quais 500 usuários do sistema, representando entidades civis; 250 profissionais de saúde, 125 gerentes, representando os governos municipal, estadual e federal, e 125 prestadores de serviços, proprietários de hospitais.


