Durante muito tempo confundiu-se medicina com saúde. A diferença é sutil, mas existe e é muito importante. Na verdade, enquanto saúde significa preservar a vida, medicina é a ‘‘arte e ciência de curar ou atenuar doenças’’. E doença é, exatamente, falta de saúde. A confusão nunca foi desfeita e a consequência foi que as políticas de saúde elaboradas sobre essa base em todo o mundo sempre deram ênfase à cura - ou tentativa de cura - e pouca ou nenhuma atenção à preservação da saúde. Só em 1996, no Canadá, num encontro mundial de medicina, foi estabelecido o verdadeiro significado de Saúde, definido como ‘‘um estado amplo de felicidade e bem-estar físico e mental’’.
Após essa definição, a comunidade médica e paramédica começou a traçar novas e verdadeiras políticas de saúde em todas as partes do mundo. Mas, como não se tinha preservado devidamente a qualidade de vida como condição para a saúde física e mental, agora é preciso tratar tanto da doença quanto da saúde. No Brasil e no Paraná não é diferente.
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) está desenvolvendo diversas ações e programas conforme o novo conceito internacional, enfrentando - como em todos os países emergentes do Terceiro Mundo - a necessidade de tratar os doentes em escala que se pode medir por multidões e de introduzir uma filosofia que conduza todo o setor público a trabalhar para promover a verdadeira Saúde.
Hoje, os vários programas em andamento no Paraná têm como fio condutor a idéia do ‘Município Saudável’. Trata-se de uma unidade territorial de saúde que, além de regionalizar o atendimento e equipar hospitais e postos, está empenhada em mudar o conceito de saúde e promover a busca da qualidade de vida, em todos os itens que assegurem a salubridade das pessoas e da comunidade. Isto quer dizer que segurança, trânsito, educação, salário, emprego etc. estão intimamente relacionados com a saúde e é preciso que o poder público elabore políticas de conjunto e não apenas setoriais, a fim de promover a saúde da população.
A Sesa entende salubridade em seu sentido mais abrangente. É o retorno da auto-estima do cidadão e, com isso, a estima do cidadão pela cidade em que vive. Isto não se consegue em cinco ou dez anos, mas é preciso dar o primeiro passo, pois a auto-estima é a mola propulsora da saúde física e mental.
A partir desse conceito foi traçada uma linha de ação que será revista e ampliada na III Conferência Estadual de Saúde, que se realizará em Curitiba nos dias 14, 15 e 16 de novembro, quando representantes de todo o Estado discutirão o tema ‘‘Saúde, o equilíbrio entre a preservação e o tratamento de doenças’’.
O encontro é precedido pelas Conferências municipais, que se realizaram em todo o Estado até o prazo máximo legal de 10 de outubro. Em Londrina, as reuniões aconteceram no começo do mês, quando médicos e profissionais de saúde voltaram a debater sobre a nova abordagem da saúde, que começa no atendimento em postos e hospitais, passa pela farmácia básica e programas específicos de prevenção e vai até questões como lazer, qualidade de vida, transporte, trânsito, salário, moradia, educação, alimentação etc.
Para o superintendente da Autarquia Municipal de Saúde de Londrina, Agasham Bredossiam, é importante repensar a vida como um todo e investir na idéia de prevenção. Um aspecto que ele considera essencial é mudar o foco da prestação do serviço em posto ou hospital - que são locais de doença, dor e sofrimento -, para o da preservação da saúde e da qualidade de vida. ‘‘O posto e o hospital são importantes, mas ainda mais importante é o que nos impede de ficar doentes, isto é, tudo aquilo que nos dá felicidade’’, ele diz.
A Conferência de Curitiba será aberta por uma palestra do ex-ministro Jamil Haddad sobre ‘‘A questão Saúde no Processo de Globalização da Economia’’. Maria da Graça Lima, da comissão organizadora da conferência, explica que nos três dias do encontro serão discutidos assuntos como a sáude da família, dificuldades e avanços do SUS, qualidade ambiental como requisito de prevenção, o Plano Estadual de Saúde e a gestão participativa nos hospitais.
Também serão escolhidos os novos membros do Conselho Estadual de Saúde do Paraná. Participarão mil delegados, dos quais 500 usuários do sistema, representando entidades civis; 250 profissionais de saúde, 125 gerentes, representando os governos municipal, estadual e federal, e 125 prestadores de serviços, proprietários de hospitais.

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