Paraná ganha seu primeiro Herói da Pátria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de janeiro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
O Paraná ganhou seu primeiro Herói da Pátria. Trata-se de Ildefonso Pereira Correia, mais conhecido como Barão do Serro Azul. A inscrição do nome do barão no Livro dos Heróis da Pátria foi sancionada no último dia 15 de dezembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "É um resgate de uma parte importante da nossa história", comemorou Avani Slomp Rodrigues, presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), uma das instituições fundadas por Correia no Estado.
Com a sanção presidencial, o barão entra para a fila de nomes que aguardam para serem gravados no Livro dos Heróis da Pátria, juntamente com outras três personalidades brasileiras: o ambientalista Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes), o frei Joaquim do Amor Divino Rabelo (Frei Caneca) e o marechal Manuel Luis Osório (Marques do Erval).
Outros dez homens já têm seus nomes marcados nas páginas de aço do livro, entre eles Zumbi dos Palmares e o alferes Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes). A publicação está depositada no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. O edifício, que tem a forma de uma pomba, foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1986.
Para o bisneto do barão, Fernando Fontana, a inclusão no livro é um reconhecimento de uma pessoa que não hesitou "ao ser chamada pela população para defendê-la". É que em 1894, durante a Revolução Federalista, um grupo de rebeldes federalistas gaúchos, conhecidos como maragatos, veio do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro. O plano era tomar o Paraná.
Quando os rebeldes chegaram à Lapa (71 km a oeste de Curitiba), enfrentaram tropas legalistas numa violenta batalha. Foram 26 dias de resistência dos legalistas contra forças muito mais numerosas dos maragatos. Os rebeldes tomaram uma estação telegráfica e passaram a transmitir mensagens como se fossem das tropas legalistas na Lapa. O aviso: milhares de maragatos estariam se deslocando em direção a Curitiba.
A população da Capital entrou em pânico. "Foi quando chamaram o barão para evitar que a cidade fosse invadida e saqueada", contou Fontana. Serro Azul comandou a coleta de fundos para comprar dos rebeldes a proteção da cidade. A liderança dele nesse episódio, no entanto, converteu-se em traição quando as tropas governamentais reocuparam o Estado.
O Barão do Serro Azul e outros cinco companheiros foram presos no quartel da primeira divisão. O grupo acabou assassinado no quilômetro 65 da ferrovia Curitiba-Paranaguá, em plena Serra do Mar. "Os corpos ficaram abandonados lá porque era muito perigoso tentar ir buscar", contou Fontana. Hoje uma cruz marca o local da morte do barão.
A acusação de traição atingiu também a família. A mansão do barão (que hoje abriga o Solar do Barão, na Rua Carlos Cavalcanti, Centro de Curitiba) foi transformada em quartel do Exército e a viúva e seus filhos foram desalojados. Para Marly Correia, bisneta-sobrinha do barão, a homenagem "veio em boa hora para valorizar atitudes de homens como ele".
Para Evani, da ACP, a homenagem deve-se a toda a história de vida do barão. "Ele foi um empreendedor", destacou. Foi o maior produtor e exportador de erva-mate do Paraná. Também foi o primeiro comerciante do Paraná a registrar um empreendimento na Junta Comercial. E foi o fundador e primeiro presidente da ACP e do Clube Curitibano. "Como industrial, ele foi responsável por trazer para o Paraná processos de produção avançadíssimos", relatou Fontana.


